eu fiz mil coisas.
eu não fiz nada.
e não deu em nada.
e amanhã não é domingo.
O fato é que eu estava sempre exausta e quantas vezes pensei: Ah, 2025, esse ano perdido. Deixei de ir ao grupo do bonsai, larguei as trilhas.Quase não fiz fotos, nada era interessante o suficiente para eu fotografar. Aprovada mas não classificada em concursos, seletivo. Pouca h/a no emprego atual mas podia ter mais, eu que não dei disponibilidade no dias de segunda e sexta por conta dos deslocamentos. Passei por 5 etapas de uma vaga de emprego que seria minha mudança de carreira e do nada foi tudo cancelado. Fui chamada para a entrevista de um dos empregos dos meus sonhos - terceirizada e bem a lá apocalipse zumbi, confesso - mas nada do governo efetivamente abrir a vaga. Aprovada na residência mas não com pontos suficientes para ser realmente uma concorrente. Foi muito quase, como o vento ou areia escapando entre os dedos.
Nossa, agora lembrei da Ana Luisa, dizendo que anos ímpares são ruins. Me pego discordando em concordar. Talvez seja isso mesmo. E eu acredito no caos e na ordem. Acho que mais no caos.E não venha com essa que astros ou sei lá o que tem influência direta sobre o que a gente faz ou segue na vida. É bonitinho mas carece de método e reprodutibilidade.
E eu não sei se aprendi sobre resiliência por que nem lembrei dela. Eu apenas segui. Sabendo que se eu ficasse triste demais, ansiosa demais, se eu me desregulasse, não haveria ninguém para me dar a mão e me ajudar a sair do poço, afinal esse papel constuma ser meu: dar a mão ou ao menos segurar uma lanterna. Mas, pensando bem, agora essa palavra faz todo o sentido. A vida é combate.
E não escrevo isso por estar mal, não. Longe disso. Talvez seja um dos consolos do caos. Ou só o rebrotar da esperança. Hoje- quando mais uma vez pensava em soprar a poeira desse blog e escrever um pouco sobre o ano cansativo que passou- aparece a postagem de uma ex-aluna: Olhe ao redor e concentre-se no que deu certo.
2025. Ano que terminei veterinária (que demorei 13 longos semestres para finalizar, afinal esse curso já foi trancado, eu não fazia todas as cadeiras em vários semestres, tive reprovação por não finalizar o TCC, teve período sem matrícula, precisei pedir reingresso...). Ano que o I finalmente recebeu a notícia da cura de uma doença grave e a melhoria e remissão de várias das sequelas. Ano que minha irmã mais nova concluiu um sonho ao finalizar o curso de medicina. Ano que realmente vi eu tenho base, que se eu estudar as coisas vão caminhar ( ainda esbarro na falta de tempo, mas tive bons resultados abrindo só o edital, imagina se...). Ano em que vi meus pais todos os meses, mas de uma vez até. Ano em que finalmente trouxe a tona algo que já era urgente e pensei deliberadamente sobre meu próprio envelhecimento e planejei algo que está guiando muitas decisões ( inclusive a de fazer um concurso público).
Olhe ao redor e concentre-se no que deu certo.
É isso aí, 2025. Ainda não dá para dizer gratidão, obrigada e sei lá mais o que. Consigo dizer nós nos toleramos, superamos e seguimos, cada um com suas verdades.
E não, não fiz nada das metas. Fiz uma cirurgia e estou me sentindo à vontade para sair desse molho agora em abril. Antes de voltar pro surf, vou encarar a academia. Começar algo e já saber que não vai haver amor nessa relação é um desafio, dentre tanto.
Meu pensamento sobre a vida? Cansaço. Ah, e leituras sobre fossas para águas cinzas ( e bananeiras), galinhas poedeiras e coisas assim.
Deveria estar fazendo meu TCC ( um surto e fiz outra graduação de 5 anos em uma IES pública).
Deveria estar fazerndo tanta coisa. Mas estou só curtindo uma enxaqueca mesmo.
E não é que o blogger ainda funciona? Sabe-se lá o que isso quer dizer.
Há alguns meses eu queria um lugar por uma lista, um lugar que ninguém olhasse. Não dá pra ser no meu mural ou na geladeira. Mas escrever vai torná-la mais real - mais factível, mais próxima da saída do mundo das ideias.
Metas pessoais! Ah, para que servem senão seguir para aumentar meu sofrimento...
E é isso! Nada demais. Bobagenzinhas até, mas para quem tem meu histórico são grandes batalhas. Três lindas coisas que foram empurradas para depois. Mas que tá na hora de serem para agora.
| Quando o meu amor vem ter comigo é tudo e é como a chuva caindo num chão de pedras. Sem pena. Até acalmar-se. Lavando as folhas, lavando, deixando gotas d'água sonhadoras a suspirar ternos poemas. |
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