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em inconstante definição.

quinta-feira, junho 25, 2009

PEIXE-AQUÁRIO
eu sou o peixe
que nada, eu sou o peixe
que nada, que nada...
que nada ao inverso, eu sou o peixe

que pesca o universo
que manda pelo avesso
que anda pelo mar sem endereço

que risca esse cenário
que cisca o imaginário
que tudo ou nada sem itinerário

eu sou o peixe
que nada, eu sou aquário
que nada, que é o nada, que é tudo ao contrário

peixe-aquário
fisga o sol, a lua, a luz do céu
signo das águas
na estrela desse mar de mel

que sede, eu sou o aquário
que guarda a natureza
que acorda a correnteza
que quebra e transborda se afogando de beleza

que nada, eu sou a onda
que muda com a maré
que vaza todo o choro, o desespero
e enche a fé

que onda, eu sou a gota
que pinga na loucura
que chove e tanto bate até que fura

eu sou o oceano
atlético e atlântico
pacifico e romântico
sou peixe voador

eu sou o oceano
profundo, profano
sou indico, infinito
indicado pro amor

eu sei, eu sal, eu sou
eu sou, eu vou, eu fui
eu vim, eu sei, eu vim,
eu vi que sim,
eu vi que flui.

Diário Noturno - Gabriel o Pensador.


Um copo enorme. Suco de laranja, gelo. Deveria ter vodka, mas não, não mesmo. No meu mundo de falas não expressas e coisas não cumpridas, não me permitirei esse prazer também.

Dia morto, olhos mortos. Reparo por baixo das palavras, das portas, das peles dos que me observam. Se houver algo que valha a pena, passa despercebida devido a seu tamanho nanomolecular. [mais um dia, mais um dia rumo ao fim...]

Apática. Assimpática.

quarta-feira, abril 29, 2009


aparência.
Não adianta ser esclarecida, moderna, culta, resolvida - ou nem tanto. Toda mulher gosta de elogios. Impossível negar. Mesmo as divas. É quase para ser aceita. Umas mais que outras, é certo, mas não custa fazer unzinho pelo menos uma vez por ano. Nem sempre ser reconhecida pelos atributos físicos faz a primazia entre nós, mas qual mulher não gosta de ouvir um "como você está bonita"? E se isso for impossível de ser dito (como no meu caso) um " essa roupa ficou bem em você", caso seja sincero  será muito bem vindo. Afinal, até mulheres desproporcionais, sem sombra alguma de simetria e que nunca chamam atenção um dia irão vestir algo que lhes fique bem - ou já vestiram. Ah, isso pode ser extrapolado para o cabelo, a maquiagem, unhas grandes/curtas/claras/escuras. Agora, se nem com reza braba dá pra ouvir qualquer comentário desse tipo, é melhor procurar um bom analista.

Quando achar, não esquece de passar o telefone.

Mauro me disse que é só TPM.
SOBRE A MORTE EM UMA TARDE DE CHUVA

A Maceração é Macabra!
Macabra... adjetivar uma dança
em que se representa a morte
arrastando pessoas 
de todas as idades e condições.

Talvez seja uma coisa maçada 
pra muitas pessoas...
ou uma pancada com maça ou maço, 
um trabalho penoso,
conversa fastienta e longa.

Pessoas de todos os cantos
vamos macaquear a morte,
como uma Macega...

...erva daninha, capim dos campos 
que quando seco, dificulta o trânsito.

Luzidia a Ressureição em ti!

(Márcio Boas; 15.02.07)

terça-feira, abril 21, 2009


Odeio quando preciso largar meu pobre personagem em uma taverna qualquer e fazer lanchinho pro grupo...argh!

quinta-feira, março 26, 2009


Hoje foi um dia estranho. Mais um, talvez. Apenas mais um desses dias nos quais pensamos por longo tempo.
Tenho dormido mal, só que isso sempre acontece e essa manhã fiquei em casa e montei um seminário medíocre para a reunião do laboratório, simplesmente por que não conseguia o mínimo de concentração necessária. Sem falar na dor de barriga, não sendo essa a causa do déficit de atenção.
Apresentei o seminário. Bem ruim. Fui então conversar com os donos dos 13 beagles que ainda restam em campo. Dizer que todos estavam com leishmaniose e o teste não havia dado certo e bláblábláblá. PCR é PCR, mas pareceu-me que mentia. Repetisse isso ao detector de mentiras, valendo minha vida e eu estaria morta. Tudo soou falso e fiquei meio mal.
Quando terminou a sessão tortura, fui ver uma amiga, a mãe de alguém que me foi - e é-extremamente importante, um amigo a quem amo.
Eu precisava daquela conversa, faz tempo já. Ali, eu soube de muita mentira. Ela chorou, eu quase chorei (o policiamento interno vem funcionando...) e, o melhor, eu pude entender muita coisa. Não só do que aconteceu e atitudes tomadas, ficou um pouco daquela coisa que só mãe sente, que eu só vislumbro. Lembro da professora Rita falar algo nesse sentido, ela que todos dizem ser uma mãe extremosa até demais. Lembro do que minha mãe está passando agora, lembro do que escutei essa tarde e, mais de uma vez essa semana, quis saber se todos mesmo se perguntam onde erraram e o tempo é tão pouco, nossa existência tão tolamente efêmera e quando se vê não há nada além de lamentar-se e colocar uma cadeira do lado de fora da casa, esperando a tarde passar. Sempre penso: cada um tem um caminho e ele nunca é fácil, para aqueles que o segue ou para quem observa alguém trilhar.
Passei em outro lugar para conversar e esquecer.
Quando cheguei em casa, mas inquietação:  minha irmã.
Primeiro, alimentar idéias loucas de que meu irmão vá para Brasília e o que significaria minha cunhada passar os 7 meses restantes de gravidez longe dele e ainda o parto e talvez os primeiros meses do bebê. Eles são tão jovens, primeiro filho. Ante a minha indignação, o comentário: "fudeu por que quis..."

Segundo, ainda ela,  área médica, serviço público de um local tão carente de tudo, a dizer que não vai atender ninguém além da sua cota. E  tem cota de urgência também, que cansou de ser boazinha e agora ser ia ser assim. Escuto vários reclamações, ela tanto fez e eles não demonstraram gratidão.
Eu nunca vi alguém morrer. Somente duas vezes, acho, estive diante de situações que poderiam resultar nisso e em uma delas, era em um hospital. Sou idiotamente idealista. Sempre soube disso, mas não entendo como alguém pode ver um igual seu precisando de cuidados de saúde, dependendo do seu aval, da sua análise e não sentir-se impelido a fazer tudo o que está a seu alcançe. Sinto-me penalizada com a necessidade e enojada de profissionais da saúde que esquecem do que prometeram, esquecem do que são. Devo é ser muito tola,  sempre lembro do que jurei. Apelo. Ela é cristã. Mas não adianta.
Passa poucos minutos e namorado dela liga. Febre alta, dor no corpo. Contrariando as expectativas do bombardeio de informações sobre dengue do governo e da Globo, ele toma 3 lindos comprimidos ácido acetilsalicílico, depois de ter ido ao serviço público e - surpresa- não ter sido atendido por que o médico não foi. Ela chora desesperadamente,grita ao telefone com ele, o chama de doido, de burro. Preocupações com dengue hemorrágica. E ela nem está lá. Eu tento tomar banho, escuto fungados, ela aparece à porta- vermelha do choro, descabelada. Conta tudo o que já ouvi. Não resisto. "Viu? e ainda quer deixar de atender quem está além da sua cota". A dela? "Nada a ver isso. É uma pessoa próxima de mim!". Não me comoveu, pois sempre é alguém próximo a alguém.


quarta-feira, março 25, 2009

Realmente alguns lugares do mundo são mais divertidos que os outros...Quero um selo do Saci-Pererê (tem algum colecionador de selos por aí?). 
Tá, na verdade, eu queria esses tbm. 
Ah, acho que os do saci são de 74.

Pictures of the Dave McKean Mythical Creatures UK postage stamps.

sexta-feira, março 20, 2009

Claro!

Vida de secretária-apresentar seminário-viajar quase 300 km - dar aula-aplicar prova-voltar os quase 300 km - abraço e cama. E ainda preciso ir ao banco.É, tem muita coisa entre o que eu vou fazer e o que eu quero.Ainda bem que maio é um mês onde aulas de genética não farão parte do cronograma.
Estou cansada e é algo mais profundo que um fim de semana prolongado - e desocupado- possa resolver.
Meu experimento, não anda - nem se arrasta- e agora, depois de 2 anos, consigo largar de mão a epidemiologia e cuidar só dessa &%$$@* de Multiplex PCR., o que realmente me interessa. Nada de centenas de animais, prevalências ou incidências. Nada. Nadinha disso. Apenas uma linda reção patenteável e pronto. E fora!
O engraçado de hoje: mulheres inteligentíssimas, resolvem manuais de instrução complicadíssimos, de aparelhos que custam mais de R$ 100.000 e fazem coisas complicadas e biotecnológicas, não conseguem entender o fax. Claro, fax é coisa do demo mesmo.
 

quarta-feira, março 11, 2009

ai, meu Deus!

 Eu penso muito no que dizem de mim.Manias? Claro que tenho! Muitas! quer alguns exemplos?
* arrumar a cama.
*comprar produtos de limpeza.
*usar quantidades abissais de produtos de limpeza.
*lavar coisas que ninguém normalmente lava, como o quarto.(Um ótimo "remédio" pro estresse ou TPM...Eu recomendo).
*comprar cadernos e papéis, diversos.Que acabam estragando.
 (Sim, sim! eu confesso!Essas terríveis declarações destroem toda a moral ecologicamente correta que tempo passar e seguir!é mais forte que eu...Perdão, perdão!Juro que já tentei mudar...)
*mudar tudo de lugar em meu quarto.
*sabonete novo.Líquido.Barra.Qualquer um.
*Age of Empires.(Não necessariamente ele. Pode ser Warcraft. O que dizer de alguém que, mal vê o namorado, já o desafia para uma partidinha de 3 horas de Age?Se bem que ontem ele ganhou...que droga!) 
***

É do que lembro agora.Acho que a idade está piorando tudo. :P

quarta-feira, março 04, 2009

manhã cinza tarde púrpura noite azul

 "em teu abraço eu abraço o que existe, a areia, o tempo, a árvore da chuva".Neruda
 Tem algo em teu abraço que parece fazê-lo me consolar de qualquer coisa.

segunda-feira, março 02, 2009

de tudo

 Não estou mais doente. A chuva brilha mais que o sol e nessas manhãs frias, eu só penso em cama, travesseiro e em todo tipo de coisa que se pode fazer para colocar alguém mais manhoso do que já é. Estou sempre com sono e dormiria uns 10 dias inteiros se isso talvez não me matasse de desidratação e me fizesse perder o emprego ou os experimentos.Falando em experimento, talvez eu "vire" amostra de alguém. A doença misterios? toxoplasmose! ainda bem que não estou grávida. Uma amiga super-veterinária  e sem os sentimentos meigos nhem-nhem-nhem que Aline e eu temos em relação a gatos, fez um semi-inquérito e acha que foi um dos meus gatos. Aliás, o que não era meu. A Lillo. Por que não tive filhotes, além dela e da Nimphadora. E a Ni veio de um lugar onde gatinhos não comeram carne crua ou andaram pondo suas patinhas em qualquer lugar por gerações. Daí, resta a Lillo, que agora mora com a Annie. Estive pensando se vale ou não dizer aos meus preocupados pais o que eu tenho. Claro, nos ultimos laivos de infantilidade presentes, eles vão querer que eu me livre da Hermione e da Rubi. Infantilidade. Eita sentimento que gosta de persistir mesmo depois que crescemos.Como fazer uma pessoa entender, sem parecer grosseira e mal-educada, que eu nao quero mais as coisas dela em minha casa, que eu respeito muito a propriedade alheia para jogar tudo fora e essa é única razão para procurá-la e falar das coisas? Sei não...agora, já que me disseram " pode ficar com tudo, você faz o que quiser", tenho só que decidir se há alguém para dá-las ou me livrarei de tudo no melhor estilo Dexter.

 

fuiiiiiiiiiii

  
ah,segunda-feira em paz. Isso é realmente digno de nota.Fazia tempo. Sem estar cansada, me acabando,como todas as segundas. Acho que devo isso a alguém que fica fofo em tons pastéis.

 

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

"- Sei um encanto que pode curar dor e doença, e que pode tirar o sofrimen­to do coração daqueles que sofrem. Sei um encanto que cura com um toque. Sei um encanto que faz as armas do inimigo se virarem pro outro lado. Sei outro encanto que me solta de todas as amarras e abre todas as fechaduras. Um quinto encanto: eu consigo pegar uma flecha no ar e não me machucar.
As palavras soavam pesadas, urgentes. O tom amedrontador não estava mais lá, o sorriso cínico também não. Wednesday falava como se recitasse as palavras de um ritual religioso, ou como se estivesse se lembrando de alguma coisa obscura e dolorida.
- Um sexto: feitiços feitos pra me machucar só vão machucar quem os enviou. Sétimo encanto que eu sei: posso apagar o fogo apenas olhando pra ele. Oitavo: se algum homem me odiar, eu consigo ganhar sua amizade. Nono: eu posso fazer o vento dormir com o meu canto e posso acalmar uma tempestade durante tempo suficiente pra levar um barco até a costa. Esses foram os primei­ros nove encantos que eu aprendi. Durante nove noites eu fiquei pendurado na árvore nua, a lateral do meu corpo perfurada pela ponta de uma lança. Eu ba­lançava de um lado pró outro e sacolejava aos ventos frios e aos ventos quentes, sem comida, sem água, um sacrifício de mim pra mim mesmo, e os mundos se abriram. Como décimo encanto, eu aprendi a dispersar bruxas e fazê-las rodo­piar no céu de modo a nunca mais encontrarem seu caminho de volta às suas próprias portas. Décimo primeiro: se eu cantar quando uma batalha eclodir, posso fazer com que guerreiros passem pelo tumulto ilesos e intactos e posso trazê-los de volta a suas famílias e a seus lares sãos e salvos. Décimo segundo encanto que sei: se eu vir um homem enforcado, posso tirá-lo da forca pra que sussurre no nosso ouvido tudo de que consegue se lembrar. Décimo terceiro: se eu jogar água sobre a cabeça de uma criança, ela não vai sucumbir na batalha. Décimo quarto: sei os nomes de todos os deuses. De cada um dos malditos. Décimo quinto: sonho com poder, com glória, e com sabedoria, e eu posso fazer as pessoas acreditarem nos meus sonhos.
A voz dele estava tão baixa agora que Shadow precisava se esforçar para ouvi-lo por sobre o barulho do motor do avião.
- Décimo sexto encanto que sei: se preciso de amor, posso transformar a mente e o coração de qualquer mulher. Décimo sétimo: nenhuma mulher que eu desejo vai desejar alguém mais na vida. E eu ainda sei um décimo oitavo encanto, que é o maior de todos, e esse eu não posso contar pra nenhum ho­mem, porque um segredo que ninguém mais além de você sabe é o segredo mais poderoso que pode existir.
Ele suspirou e então parou de falar." 
Sr. Wednesday. Deuses Americanos. Neil Gaiman.

Parece o Havamal, do qual na época eu conhecia uns trechinhos -não esses para mim similares às palavras do Wednesday. Mas na hora, deu uma sensação estranha de coisa antiga... 

Desde cedo, pensei em olhá-la ao anoitecer. Não foi bem como imaginei mas, pela primeira vez em muito tempo, olho pra ela e não me sinto em pedaços. Não somos eu e ela faltando algo. Ela agora é começo e estou indo, tenho certeza disso. 

domingo, janeiro 11, 2009

espera ou algo de tolo enquanto seguem as horas.

Fui ao UNICEUMA acompanhar mais uma pobre vítima. Vestibular. Enfermagem. Levei "Coisas Frágeis. Reler O Monarca do Vale. Fiquei com saudades. Talvez o Mauro tenha razão e realmente eu seja apaixonada pelo Shadow.
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Aconteceu  o inevitável. Chuva e ruas lamacentas me fizeram sair de salto. É incrível o frisson que um pedaço de pano a menos e uns centímetros a mais podem causar. Se bem que o que eu quero são botas de alpinista. Moto e tornozelo exposto não são as melhores combinações e tenho que pensar em tudo isso antes de me dirigir a uma concessionária.
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A vida é uma pilhéria. Eu vivo reclamando dos que fazem e cá estou eu fazendo. Sei que ao crime, o castigo. Mas não quero (quem quer?). Agora que Inês é morta, perguntar o que se fez no verão passado não adianta. 
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Vi duas enormes e toscas imitações de O Pensador. Céus, eu adoro Rodin (tudo bem, mais que a  ele eu adoro a  Camille Claudel). Me choca a deformação. É notório que eu detesto cantadas mas a melhor dela e única que deu certo, foi de alguém que me olhou além do óbvio -e das roupas- e disse que eu parecia uma escultura de Rodin. Foi certeira. É, na época eu até merecia. Sim, mas voltando aos aleijões que tentam imitar a arte, meus olhos marejaram de indignação ante as esculturas. Seria isso uma tentativa - quiçá frustrada - de algo subliminar? Pensem, pensem pensem... Ou algo mais zumbi cérebro, cérebro, cérebro. Dado o lugar onde estão, eu dialogo com meus pobres botões sobre as estatísticas (inferência baeysiana, talvez seja o mais indicado) e se o percentual de entendimento/aceitação foi satisfatório.
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Eu não queria ser tão complicada. Juro que nao queria. E nem me acho. Por esses dias, me descreveram como portadora de um transtorno de múltiplas personalidade, com muito in: insegura, inconstante, infantil. Eu mereço.

sábado, janeiro 03, 2009

Cinza-tarde


Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos...
Atos sao pássaros engailoados,
sentimentos são passaros em vôo.


Mário Quintana

(do seu blog para o meu.).

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Tempo ou lições a uma procrastinadora

A Vida(Mário Quintana)

A vida são deveres que nós trouxemos
pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais
para ser reprovado...
Se me fosse dada, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada inútil das horas...
Dessa forma eu digo, não deixe
de fazer algo que gosta devido
a falta de tempo.
A única falta que terá,
será desse tempo que
infelizmente não voltará mais".

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Para um dia sem sol II

Lições vazias (para a chuva que não caiu lavar– promessas, sempre promessas, tanta nuvem, tanto cinza):
Os desejos falhos, os sonhos errados. Aquela caminhada para pensar em que acabei distraindo-me com a rua. Palavras e areia lançadas ao vento – minhas e tuas. As mentiras para ninar meus pais. O choque, o fardo, a dor. Meu frio. As escolhas sem culpa. O que houve de ruim – e tem mais memória que aquele algo bom. A verdade que doía demais e foi dita. Os medos que passaram e abandonaram-me seca. A dor alheia. O irreal, o transitório. Idéias alheias a meu respeito. Minhas idéias sobre o que não me diz respeito. Essas impossibilidades. Essa ausência de credo.

Das chuvas e das paixões
I
Das chuvas e das paixões
te guarda
até conheceres o fim
Umas vêm para fecundar
outras, vêm para destruir
 II
Cai uma tempestade
e diz-se chuva
Mas um sereno
é chuva também
E se não pode julgar mais chuva
esta ou aquela em que há mais violência
ou ternura
Tampouco mais ou menos tempo
até o seu fim

Mesmo porque,
quando é o fim duma chuva
se existe muito mais fim em quem a observa
do que nela própria?

Não me espantaria o contrário
mas, creio que elas não pensam
também não sentem
Apenas carregam em si
esse momento
Os homens, porém,
se nove destes se abrigam
a espera do fim duma chuva
cada um se vai num instante
porque cada um percebe esse fim
em si - e em seu próprio tempo

O que leva a crer
que uma chuva passa
no instante em que ela passa, simplesmente
mas essa chuva somente passa, para quem a sente,
quando se entende que ela já passou.

 III
E basta que a chuva venha três vezes do norte
Que há quem se espante quando ela vem pelo sul
Como se mais forte fosse de onde a chuva vem
Que a fertilidade que ela traz aos campos

Eduardo Gaspar
 (com gosto de Alberto Caeiro)

Para um dia sem sol I


Não são trocas. Não foram trocas. Nunca é questão disso. Esqueça. Viva o tempo em que acorda a vontade de resolver as coisas, coisas que já se sabia antes! Coisas que não fazem mais sentido. Não do jeito que faziam antes. Não de jeito algum. Dias e dias. Daí, de repente, me dou conta do que acontece. É como se eu estivesse congelada ali e não é isso quero: parar e ser igual. Um medo assolador do que persiste, das eternidades e rotinas, da estase de viver o mesmo dia, o mesmo (des)gosto, os mesmos dentes, o mesmo sonho, a mesma luz ao fim do túnel, o mesmo pesadelo. Medo do mesmo. Por vezes cruel, sempre avisei. É brincadeira? Devo acreditar? Posso crer em sentimentos tão elevados a ponto de fingir que valerá mesmo assim ou não ter receio do que possa acontecer? Nunca é, não é nada disso. E a manhã chega e o sol cega, mesmo que a verdade se mostre muito bem no escuro. Pensando bem, é a lua. Preciso sempre olhar o céu para ver exatamente onde está, suas horas e guias. Se observo com atenção, posso prever tudo isso. Porém de que valerá toda essa anunciação se irei perder-me todas as noites, esperar, enlevada, tendo como norte apenas seu signo mas não seu significado? Se a escolha foi andar desatento, não maldiga o buraco em que caiu.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Pois é... acho que vou sentir falta de 2008...

Receita de Ano Novo 

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo 
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."


Carlos Drummond de Andrade ( o meu preferido) -Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

terça-feira, dezembro 16, 2008

realidade II


Essa noite, vi um rapaz mexendo no cadeado do meu portão e perdi o sono. Mas não foi só isso..

Seria mesmo o caos se pudéssemos simplesmente dizer do que sentimos e entendemos –ou não?


realidade

"— Solfieri, não é um conto isso tudo?

— Pelo inferno que não! (...)  — pela perdição que não! Desde que eu próprio calquei aquela mulher com meus pés na sua cova de terra — eu vô-lo juro — guardei-lhe como amuleto a coroa de defunta. — Ei-la!

Abriu a camisa, e viram-lhe ao pescoço uma grinalda de flores mirradas.

— Vede-a murcha e seca como o crânio dela!"


(Noite na Taverna)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Eu parto que nem ar, sacudo os cabelos brancos ao sol que está indo embora,
derramo minha carne em remoinhos e a deixo flutuando em pontas rendilhadas.
Eu me planto no chão para crescer com a relva que eu amo,
se de novo me quiserdes buscai-me embaixo das solas dos vossos sapatos.
Dificilmente sabereis quem sou ou o que significo, mas,
apesar de tudo para vós serei boa saúde purificando e dando fibra ao vosso sangue.
Deixando de encontrar-me ao primeiro momento, conservai a coragem:
perdendo-me em algum lugar, ide procurar-me em outro;
em algum ponto eu hei de estar parado a esperar por vós.

Walt Whitman
Obrigada pelo presente!

domingo, novembro 30, 2008

Novembro

E Novembro não trouxe a morte nem qualquer libertação. Apenas passou.

Foram semanas forasteiras.

Dos dias, pouco lembro... Alguns na cama, sem ter muitos porquês para levantar e me entulhando de trabalho até o Natal. Outros, fui de má vontade por aí, equilibrando-me para continuar de pé.

 Nas noites, uma a uma, vi o céu em todos os seus nuances – azul, negro, chumbo. O escuro e as estrelas. O escuro e o nada. Segui o caminhar da lua durante o mês: quando era só um pedaço amarelo e minguado escondido entre as nuvens- igual a mim. Cresceu, cresceu, voltou Cibele, cheia e fértil - e eu ainda estava a lhe observar. Tanta solidão na Terra que nessas noites quentes, só existiam ela e eu.

Mesmo o Tempo, deus impiedoso, estagnado e célere, deixou-me tão alheia à realidade que contei meus dias pela cartela de um remédio de irrevogável uso diário, meu único contato com a Sua passagem.

Cansou-me.

Mas hoje é o ultimo! Brindo assim a esse término-e-tão-bom-começo.

quinta-feira, novembro 20, 2008

aprendido com O Troth


"Somente a mente sabe o que está acerca do coração, cada um é seu próprio juiz: a pior enfermidade para um homem sábio é desejar o que não pode desfrutar;" 
(Havamal, 95)

domingo, novembro 16, 2008

Lição do Mês I

Essa é autoexplicativa.


SEU SANTO NOME
"Não facilite com a palavra amor. 
Não a jogue no espaço, bolha de sabão. 
Não se inebrie com o seu engalanado som. 
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro). 
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão 
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra 
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra. 
Não a pronuncie."

Carlos Drummond de Andrade
;)

quinta-feira, novembro 06, 2008

"Folgue comigo na grama,
afrouxe o nó da garganta,
nem palavras nem música nem rimas
estou querendo,
nem costume nem lição,
por melhor que seja:
eu gosto é do acalanto
do murmúrio valvar da tua voz."


Walt Whitman, Canto a mim mesmo, Folhas de Relva.

terça-feira, novembro 04, 2008

Encruzilhada - ou de quando a dona desse blog não tem a menor idéia do que faze da vida


Eu quase queria ficar ao sol ou a chuva, numa postura bem parecida com a da menina que ilustra esse blog. Eu bem que queria...
Talvez seja só uma encruzilhada. Talvez seja A Encruzilhada.Mas eu não sei bem aonde levam alguns caminhos, já que só posso ver o comecinho deles...
Encruzilhada...
(Hécate, Hécate, Hécateeee...)
.
.
.
ok, ok, apelar pros deuses não dá certo.
.
.
.
E já que todo mundo está citando alguém famoso:
"O que os homens de fato querem não é o conhecimento, mas a certeza." Bertrand Russel.
Certezas a parte, eu vou ler Bertrand Russel.
E talvez voltar a escrever.
...maldita encruzilhada....

quinta-feira, outubro 23, 2008

Hoje

Vivo numa daquelas épocas em que só se espera algo novo acontecer... Isso é um perigo, você pode pensar e eu também concordo. É um perigo quase imensurável. Não há nada sensato ou insensato a fazer. De verdade, não há nada. Suprema e absolutamente nada.

Sento e escrevo. Calor insuportável. Os garotos da minha rua conversam suas tolices de cada dia... Realmente faz calor e estou sem razões para a maioria das coisas. Estou sem razões para mim. Posso pensar como será a vida daqui dois anos ou como será amanhã de manhã e toda a discussão inconclusa da minha orientadora. Qual a diferença real?

Penso e esse nada restante sou eu. Penso e minhas respostas geraram novas perguntas e mais incompreensão. Penso e nada de concreto será feito. Penso e não valerá nada...

segunda-feira, outubro 20, 2008

Aparição


Aparição

 

Tua simples visão atordoa tudo.

Tira de mim o chão, despretensiosamente.
E nem olhas para trás, não vês o resultado de tua aparição.
Não te interessa se caio ou morro.

E sabes - ah, bem sabes...

Água que sem vontade anseio em beber.

Escuro que da luz saio para enxergar.

Pedaço de mim que nunca foi meu.
 

sábado, outubro 18, 2008

Dos dias que se seguem...

"Eu me contradigo ?
Pois muito bem, eu me contradigo,
Sou amplo, contenho multidões".
Walt Whitman

segunda-feira, outubro 06, 2008




"No meu céu ao crepúsculo tu és como uma nuvem
e a tua cor e forma são tal e qual as quero."


Neruda

terça-feira, setembro 16, 2008

E mesmo assim...

"Era uma vez um menino em buscas de padrões.
Os anéis dos cabelos da menina do ônibus, a trilha zigzageante das formigas, as poças d'água na calçada lisa, a forma das nuvens, as alterações de humor da responsável pela repartição, os tons de bom-dia das pessoas. Nada escapava à sua análise. E seguia assim: aflito por não encontrar o que buscava, por vezes esquecido da verdadeira busca - e o importa, se olhar as razões implícitas no teto do velho prédio do trabalho é mais prazeroso que descobrir os porquês do seu universo?Havia as nervuras das folhas, o sentido do crescimento da barba do seu vizinho, os azulejos portugueses daquela fachada, as coisas no caminho de todos os dias para casa...
O menino ia e vinha, sabendo que buscava padrões para não lembrar algo maior que deveria saber.
E tinha medo. Alguns dias nem se olhava no espelho de tanto medo, de tanta incompreensão. Suas tentações- todas tão íntimas- remotavam há um tempo que se perdeu na memória das manhãs escuras, ficando apenas as sombras com que elas lhe marcaram. Era melhor então buscar distrair-se em catalogar coisas, deixá-las guardadinhas no inventário que já fizera, onde sempre observava e nunca estava pronto a (re)classificações – apesar das novas informações. E estático, preso a um passado onde ninguém de lá poderia sair e nada poderia mudar, machucava meio-mundo por problemas que nem eram mais problemas... Há muito tempo deixaram de ser.
Seu medo costumava acenar quando o menino achava o padrão de algo particularmente difícil ou quando não queria assumir ser bom como realmente era - sem a falsa modéstia dos que ousam pouco, pois o menino era realmente bom em inúmeros tons, o que faltava era coragem para mostrar-se e nem sei por que não se via como era: belo, pensante e talentoso.
Mas era um conto de fadas e, um dia, choveu. A água fria do céu plúmbeo lavou a dor, ele olhou para dentro e não viu névoa. Nada era cinza e o azul brilhante dos dias de verão estava bem ali, esperando um toque, esperando sua mão... O menino pôde então acreditar quando lhe juravam amor ou admiravam-lhe a voz e riu de si mesmo sem piedade sabendo então o que sempre soube: que não precisava levar-se tanto a sério e ninguém lhe julgava as ações e que ninguém tem um monstro dentro de si, apenas um animal não-domado."
Para Pedro Paulo.
Ficou guardada por dois meses, mas finalmente está aqui. É sua.

terça-feira, julho 08, 2008

3



“... concatenar idéias não costuma ser tarefa fácil em dias como este mas sei: é uma verdade bem antiga aquela que diz tudo o que fizeres voltará três vezes para ti.”

Sábado, 04 de julho de 2008. Medo da segunda metade do ano

segunda-feira, julho 07, 2008

Pensamento de uma manhã de sol sob o jambeiro...


Nem antes, nem depois.
Se é esse agora que interessa, vivamos!
Vivamos!
É certo, preocupo-me! Destoando da natureza plácida da espera por não conhecer o ritmo. E o êxtase.
Assusto-me com as formas, abalo-me com a força que já não queria experimentar, mas sigo.
E daí?
Fingirei que de cor não sei o desfecho. Ou melhor, dele não lembrarei como os sonhos que somem da memória ao acordar.

sábado, junho 28, 2008


"A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo."
Henry David Thoreau - Desobediência Civil

quinta-feira, junho 19, 2008

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda
Em memórias aos dias em que dormi e acordei sob cálido olhar, desses que se teme e de nem adianta pedi que se fechem os olhos.

terça-feira, junho 03, 2008

"Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo."
Álvares de Azevedo

segunda-feira, maio 19, 2008


"Se como Anjo sois dos meus altares,

Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda."


Um trechinho de Gregório de Matos
Pedaço de mim, hoje.

terça-feira, abril 29, 2008

Espantar um pouco da poeira. É isso. Algo que seja só pra sair da inércia ou esse blog nunca mais veria um novo post. Os dias escorrem suas horas mais rápido do que posso acompanhar e não me dou conta. E procastino o mundo ou desisto dele...
Daí, não há jeito.
Sempre esqueço algo...
Ou me perco nas razões.
Ou deixo que o nada se ache em mim.


*Da figura: para todas as biomoléculas que devo lembrar dos nomes, só há um escrito: TESE, TESE, TESE. E o medo dos prazos esgotados.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Sombras






Sombras...Dessas que acordam quando o Sol dorme e vão esfriando a terra para passar Lua...

sexta-feira, novembro 30, 2007

Coldplay...Vídeos velhos vol. 1



In My Place

In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
I was lost, I was lost
Crossed lines I shouldn't have crossed
I was lost, oh yeah

Yeah, how long must you wait for it?
Yeah, how long must you pay for it?
Yeah, how long must you wait for it?
For it

I was scared, I was scared
Tired and under prepared
But I waited for it
If you go, if you go
Then Leave me down here on my own
Then I'll wait for you, yeah

Yeah, how long must you wait for it?
Yeah, how long must you pay for it?
Yeah, how long must you wait for it?
For it, yeah

Sing it please, please, please
Come back and sing to me
To me, me
Come on and sing it out, now, now
Come on and sing it out, to me, me
Come back and sing.

In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
Oh Yeah

quarta-feira, novembro 28, 2007

Plim-plim!

Não sei como executar meu projeto de doutorado.

Esse estágio tem mostrado muitas coisas, inúmeras possibilidades de trabalhos e projetos e que, assim como a Pilar-bobinha do livro de um falso mago, eu devia sentar às margens de algum rio aqui do Ceará e chorar ao escrever esse post.

Não sei bem ao certo, mas acho que devo alegrar-me, afinal ainda restam 2 anos e meio de doutorado e se hoje eu tenho a lúgubre certeza de estou lascadinha da silva e muitos dos meus domingos serão passados à luz fluorescente do laboratório e noites nada dormidas acenam saudosas é sinal que alguma força superior zela por mim ou tenho uma baita sorte...

Ou nada disso, é o acaso - como diria Voldemort no sétimo livro, eu um momento de reflexão pública versando sobre por-que-não-matei-esse-cara-antes que sempre fazem os vilões no fim das sagas, prontos a ouvir a réplica do mocinho(a) em vou-mostrar-por-que-você-não-me-pegou-antes.

Poderia descobrir minha má sorte daqui mais tempo e mais tempo=mais lascada10. É, ainda bem que foi agora... Meu cabelo vem tentando abandonar sua costumeira moradia, pareço estar usando uma maquiagem estranha – e negra – ao redor dos olhos e engordei 3 quilos de pura ansiedade e docinhos da cantina.

Analista?Outro projeto?Suicídio?

Confesso, pensei em várias possibilidades. E, claro, não cheguei a conclusão alguma, lugar nenhum que não sonhos por uma pesquisa melhor... Com resultados.

Mas enquanto isso não acontece, esses sonhos acalentados tão inutilmente vão calando frente à vida em família que estou prestes a abraçar. Coisas simples como pessoas juntas às refeições, tarefas domésticas repartidas e novelas. Depois de anos sem ver TV regularmente, cá estou meio viciada em ver as peripécias de Marconi Ferraço e Juvenal Antena. É o princípio das dores, o Armagedon, as vésperas do Ragnarok, ou seja, qualquer coisa que signifique, para você, a destruição total do mundo como o conhecemos... Sem sobrar nem as baratas! Novela! Pois é... Eu me desconheço, juro! Estou assistindo o Jornal Nacional e vendo novela das oito.

Seria abdução?

Estaria a Globo sob o controle de aliens sedentos por audiência?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Béébá

Na casa onde estou hospedada mora o Fábio. Ele tem 3 anos, é muito lindo, pergunta tanto que me deixa tonta e é a convivência mais próxima de uma criança depois que sou adulta. (estranho essa de "depois que sou adulta"-mas vá lá...tenho que admitir isso um dia). Ele é diferente do Guilherme - meu irmão...eu lembro dele da idade do Fábio...Sério demais, parecia um adulto em miniatura- em alguns pontos, como o fato de ser tagarela demais e adorar mesmo carinhos. Lembro que o Gui gostava de soldados e brincar com vários deles no chão, tanques, trincheiras e guerras imaginárias. Com o Fábio, são os carros...Ele ganha um carro novo, brinca, brinca, mas não esquece os velhos: de vez em quando faz uma repescagem.
Fábio e eu temos uma convivência amigável, escovamos os dentes juntos todas as noites, conto historinhas antes de dormir e ele fala de mim- e dos carros -nas orações ao Papai do céu e para a tia da escola.Claro que, como toda criança vista por adultos que não são pais, Fábio tem coisas estranhas. Acho que deve ser falta de costume no trato com guris, mas que são estranhas são. Tipo a Béébá.
A Béébá é a amiguinha do Fábio que mora no ventilador. A princípio, claro, não fiquei nem um pouco confortável com essa história. Destesto essa de amigos imaginários, apesar de, na idade dele, eu já ter tido minha própria cota dessas coisas.Ele conversa horas com a Béébá conta coisas da escola, fica quietinho como se escutasse as respostas a tudo aquilo que pergunta, deitadinho no cama, em frente ao ventilador ligado. Quando eu chego ele pára, quando é a mãe ele, continua. Outro dia, ele não percebeu que eu estava lá e entrou falando alto "Béébá, o que ..." parou assim que me viu. E fingiu que não era nada. Uma vez, chegou até a nos confundir, falou comigo chamado de Béébá, e depois disse: "oou, Andressa...".
:D

segunda-feira, novembro 19, 2007



Ainda em Fortaleza, brincando de cientista...
Incrível como alguns dias fora da rotina nos fazem enxergar de maneira nova os quilos de coisas que o cotidiano desfoca, ofusca e esconde.
Nosso triste mundo de decisões difíceis... Lembro da Aline dizendo que preferia não pensar a respeito de certas coisas ou então fazia besteira.



aqui, entende-se como besteira racionalizar relacionamentos...

segunda-feira, novembro 05, 2007

Hadrian's Wall


Eu estava falando da Muralha de Adriano quando peguei a foto do post passado e só depois me dei conta onde a triste árvore.

É um dos lugares que gostaria de visitar.Pedras caducando histórias no tempo.

(dinheiro e tempo de sobra, só isso, nem quero mais nada...Estaria a megasena acumulada???)






domingo, outubro 28, 2007


Triste, triste.
Triste por ser egoísta.
Envolvida demais com o doutorado, laboratório, problemas (do laboratório), com o que eu devia estar fazendo e não faço ou não deu certo ainda - no laboratório... Tudo assim, centrado nesse eixo pseudocientífico, pois mesmo que a minha volta o mundo ande e outras pesquisas deslanchem e eu esteja envolvida nelas em certo grau, ainda não me considero fazendo ciência.

Enquanto isso meu pai está doente e eu não estou perto - e, só de pensar nisso, tudo se desgasta, desmonta.

Jonathan está ansioso pela reforma da casa, cheio de planos que nem tenho tempo de escutar, tão alheia estou a tudo.

Pessoas que adoro estão em outros rumos, com perdas, amores, tantas coisas boas surgindo, pessoas que não terei para sempre perto e eu distante.
...
Nem queria pesar tudo isso. Já nem é o mundo que penso suportar nos ombros...

quarta-feira, setembro 12, 2007


Nimphadora, com as patinhas inquietas, puxa minha roupa...
A um canto, Hermione boceja.
Oh, Ni! Pára! Pára um pouco... Tenta ficar quieta, gatinha!Eu quero escrever... Mas o quê?
Hoje essa alegria me incomoda e meu cotidiano tem tristezas que tua saltitante vida jamais entenderá.
E saias deste vaso, não adianta oferecer-me margaridas... Só a ti elas alegram o paladar e minha garganta aperta tanto que nem uma lágrima desceria (aperta como se de mãos invisíveis- trêmulas, mas firmes- se fizesse no ar ao meu redor...).



segunda-feira, setembro 10, 2007

"I didn't want to know ...I just didn't want to know ...Best to keep things in the shallow end"

Blue The Perfect Circle

Total atonia isso, mas, em mim, o conhecimento mais assusta que seduz. E nem me refiro aos contentes que podem deitar e dormir [sem pensar no sentido das coisas, no não-sentido dessa coisa pré-estabelecida por algum tolo e convenientemente "batizada" de vida normal e respeitável que "todos" almejam ter...]. O dia a dia mesmo. Saber quem realmente são as pessoas próximas, tudo aquilo que preferimos nem admitir, nem sonhando. São bem melhores os momentos de não-certeza, só não melhores do que os de não-conhecimento.

Há tanta coisa dentre as que eu busquei, mas hoje preferia não saber, não ter prestado atenção, analisado. Preferia ter esquecido depois ao invés de descobrir serem certas minhas suposições. Não sou mais inteligente que a maioria da população. Não mesmo. Mas certos detalhes atraem e lá estou eu observando (eu costumo olhar o coelhinho correndo do lado da estrada e bater o carro numa scania, essa é a verdade).

Nem saberia escrever aqui tudo que –quase- aconteceu e que eu preferia não ter observado [ou não].



ah, deixe-me bocejar ao olhar a vida alheia...