
“... concatenar idéias não costuma ser tarefa fácil em dias como este mas sei: é uma verdade bem antiga aquela que diz tudo o que fizeres voltará três vezes para ti.”
Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Em memórias aos dias em que dormi e acordei sob cálido olhar, desses que se teme e de nem adianta pedi que se fechem os olhos.Pablo Neruda
Espantar um pouco da poeira. É isso. Algo que seja só pra sair da inércia ou esse blog nunca mais veria um novo post. Os dias escorrem suas horas mais rápido do que posso acompanhar e não me dou conta. E procastino o mundo ou desisto dele...*Da figura: para todas as biomoléculas que devo lembrar dos nomes, só há um escrito: TESE, TESE, TESE. E o medo dos prazos esgotados.
Não sei como executar meu projeto de doutorado.
Esse estágio tem mostrado muitas coisas, inúmeras possibilidades de trabalhos e projetos e que, assim como a Pilar-bobinha do livro de um falso mago, eu devia sentar às margens de algum rio aqui do Ceará e chorar ao escrever esse post.
Não sei bem ao certo, mas acho que devo alegrar-me, afinal ainda restam 2 anos e meio de doutorado e se hoje eu tenho a lúgubre certeza de estou lascadinha da silva e muitos dos meus domingos serão passados à luz fluorescente do laboratório e noites nada dormidas acenam saudosas é sinal que alguma força superior zela por mim ou tenho uma baita sorte...
Ou nada disso, é o acaso - como diria Voldemort no sétimo livro, eu um momento de reflexão pública versando sobre por-que-não-matei-esse-cara-antes que sempre fazem os vilões no fim das sagas, prontos a ouvir a réplica do mocinho(a) em vou-mostrar-por-que-você-não-me-pegou-antes.
Poderia descobrir minha má sorte daqui mais tempo e mais tempo=mais lascada10. É, ainda bem que foi agora... Meu cabelo vem tentando abandonar sua costumeira moradia, pareço estar usando uma maquiagem estranha – e negra – ao redor dos olhos e engordei 3 quilos de pura ansiedade e docinhos da cantina.
Analista?Outro projeto?Suicídio?
Confesso, pensei em várias possibilidades. E, claro, não cheguei a conclusão alguma, lugar nenhum que não sonhos por uma pesquisa melhor... Com resultados.
Mas enquanto isso não acontece, esses sonhos acalentados tão inutilmente vão calando frente à vida em família que estou prestes a abraçar. Coisas simples como pessoas juntas às refeições, tarefas domésticas repartidas e novelas. Depois de anos sem ver TV regularmente, cá estou meio viciada em ver as peripécias de Marconi Ferraço e Juvenal Antena. É o princípio das dores, o Armagedon, as vésperas do Ragnarok, ou seja, qualquer coisa que signifique, para você, a destruição total do mundo como o conhecemos... Sem sobrar nem as baratas! Novela! Pois é... Eu me desconheço, juro! Estou assistindo o Jornal Nacional e vendo novela das oito.
Seria abdução?
Estaria a Globo sob o controle de aliens sedentos por audiência?


"I didn't want to know ...I just didn't want to know ...Best to keep things in the shallow end"
Blue The Perfect Circle
Total atonia isso, mas, em mim, o conhecimento mais assusta que seduz. E nem me refiro aos contentes que podem deitar e dormir [sem pensar no sentido das coisas, no não-sentido dessa coisa pré-estabelecida por algum tolo e convenientemente "batizada" de vida normal e respeitável que "todos" almejam ter...]. O dia a dia mesmo. Saber quem realmente são as pessoas próximas, tudo aquilo que preferimos nem admitir, nem sonhando. São bem melhores os momentos de não-certeza, só não melhores do que os de não-conhecimento.
Há tanta coisa dentre as que eu busquei, mas hoje preferia não saber, não ter prestado atenção, analisado. Preferia ter esquecido depois ao invés de descobrir serem certas minhas suposições. Não sou mais inteligente que a maioria da população. Não mesmo. Mas certos detalhes atraem e lá estou eu observando (eu costumo olhar o coelhinho correndo do lado da estrada e bater o carro numa scania, essa é a verdade).
Nem saberia escrever aqui tudo que –quase- aconteceu e que eu preferia não ter observado [ou não].
ah, deixe-me bocejar ao olhar a vida alheia...


