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em inconstante definição.

quinta-feira, junho 01, 2006


Sinto os dias escorrendo, pingando de maneira irritante - como a água em meu chuveiro, que eu nunca dou um jeito de consertar.Nenhuma vontade de escrever qualquer coisa...Aliás, nenhuma vontade de postar qualquer coisa pois esses dias sem computador fizeram-me desmanchar em sensações e palavras frente ao incomparável A4, branco em sua pureza sem ideologias.
Respiro e o silêncio toma forma em minha frente, sentando em seguida para conversar e tomar um pouco de coca-cola comigo. Se ele não zombasse de mim, talvez fossemos grandes amigos.E eu não estaria aqui me lastimando por querer conversar e todo mundo que eu conheço agora vive tão ocupado com dever de casa-namorado-faculdade-marido-novela-Reviver...Ou serei eu a desocupada?Eu que deveria ocupar-me em algo além de passar o dia num laboratório.Não, não é falta do que fazer, é falta de ter com quem conversar (num dia divertido, em que tudo quando foi experimento deu certo ou que os erros servem de portas para questionamentos ou descobertas...ou mesmo para lamentar-se daqueles dias em que se tem certeza de ouvir a gargalhada de Murphy ressoando ao longe...)Mas eu não me acostumo...Por que, Meu Deus?

sábado, maio 13, 2006

Within Temptation - Our Farewell


In my hands
A legacy of memories

I can hear you say my name

I can almost see your smile

Feel the warmth of your embrace

But there is nothing but silence now

Around the one I loved

Is this our farewell?

Sweet darling you worry too much, my child

See the sadness in your eyes

You are not alone in life

Although you might think that you are

Never thought

This day would come so soon

We had no time to say goodbye

How can the world just carry on?

I feel so lost when you are not by my side

But there's nothing but silence now

Around the one I loved

Is this our farewell?

So sorry your world is tumbling down

I will watch you through these nights

Rest your head and go to sleep

Because my child, this not our farewell.

This is not our farewell.

quarta-feira, maio 10, 2006

O gato (Mário Quintana)

(para Ares, que muito me conhece.Estamos chateados nesses dias, mas ele é o único que aguenta toda a minha esquisitice...Ou será que apenas não entendo os seus miados?)

O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara...hesita...avança...

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos...
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.

"Cuidado com o que desejas....

...pois poderá ser atendido."É uma antiga máxima bem comum entre neopaganistas. Mas comum ainda para quem leu as Brumas de Avalon...
Ai, ai.Desabafos no blog. Eu fui má. Agi errado sabendo que era errado, sabendo que o outro (ou meu "próximo", se alguém quiser deportar-me logo pros infernos) era mais fraco e bastava ter dito não para ele e nada teria acontecido.Eu incitei, eu dei corda...Eu acredito no poder de escolha e que ninguém obriga ninguém a nada- nem com uma arma na cabeça, por que você escolhe morrer ou fazer- mas dei um empurrãozinho, sorri da hesitação,dos desejos conflitantes e ...Não tive ressaca moral, não me sinto culpada e pode ser que a outra pessoa em questão esteja assim.
Sinceramente? Deve ter algo errado comigo.Fui bem o Mordred que minha irmã sempre disse que eu era. Mau conselho... E querem saber o pior? Era algo que eu queria, mas devia não querer.Queria e sabia das implicações. E o que houve depois foi desapontamento por conseguir uma coisa desejada.Não pela coisa em sim, não sei se pelo mal-estar alheio também conseguido, com certeza pelo "sim e daí?o que faço com isso agora?". Ou talvez por que desejar algo pode ser tão bom quanto obtê-lo. Mas eu queria. Por isso não tive sentimento algum em relação aos temores de quem quer que fosse.
Eu apenas queria. E pronto! Eis-me aqui gemendo por não lamentar, sofrendo por não sentir nada-ou melhor sentindo algo sim, uma sensação de "argh", se é que dá para entender isso. Isso me lembra Tolstoi...(Já me disseram que romantizo as coisas, não é! Sempre comparamos nossos atos e advém deles nossos conceitos de moral, ética, certo e errado e esse monte de coisas que martelam diariamente "posso?","não posso?", "devo?", não devo?") Lembra Anna Karenina, coisa das brumas da minha adolescência - e digo logo que não acho o adultério o melhor do livro e sim a busca existencial de Levine, mas traição sempre causa mais frisson que alguém em busca de si mesmo...Quase 150 páginas e muitos devaneios e recados e assédios e "coicidências" para encontrar e falar com Anna- jovem esposa devotada a seu velho -e repugnante- marido e a mãe amorosa, exemplo pra quem quisesse ver- Vronsky consegue o que mais desejava...E depois de tudo, quando olhar para ela, é esse mesmo "argh" que ele sente. "argh" pelo que fizeram, "argh" por que ele amava a virtude dela, isso de não ser como todos, corruptíveis, de não como ele mesmo, alguém que nunca teve muita moral (essa parte acho que não se aplica muito à minha pessoa, pelo menos isso...).Amava-a por que lhe era inatingível.E estava desfeito.
Estou mal por não estar mal...vai entender...Esse post tá uma porcaria caótica.Mas não era pra ser poético (não tenho sensibilidade nem pretensões pra tanto), nem espirituoso, nem bem escrito nem nada.Caótico como são os desabafos...ai,ai...Já nem sei o que desejo...ou melhor, sei sim.....E Suhelen diz pra eu deixar de viajar....Oh, eu! Oh, vida!

sábado, maio 06, 2006

De Ressaca (Luis Fernando Veríssimo)

"Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.
Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - as golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente. Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.
Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.
Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.
Por exemplo:
Um cálice de azeite antes de começar a beber - O estômago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.
Tomar um copo de água entre cada copo de bebida - O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.
Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta - Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.
Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene - Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés na direção da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.
Uma cerveja bem gelada na hora de acordar - Por alguma razão o método mais popular.
Canja - Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar. No entanto, muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.
Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no depósito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.
A pior ressaca era de gim.
Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.
Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.
Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.
Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.
Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.
Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.
Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.
Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.
De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.
Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.
Um brinde.
E um Engov."
Para não expor ninguém, não colocarei nomes. O post é teu, dito de antemão...Confesso que assustei-me com a história da cama balançando.Pensei que era algo como "O Exorcista" , aonde a cama da Reagan também balança e ela escuta vozes(temi perguntar isso, sobre as vozes e ouvir um "siiiim", vai que eram os primeiros sinais da possessão?).Ainda vou te ver bêbada, já cansei de te ver de ressaca.Nesse dia vou rir muito. Te adoro.

quinta-feira, maio 04, 2006

momento bucólico...

I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived.
H.D. Thoreau (Walden Or Life in the Woods)
(Texto aparentemente sem novidade...todo mundo já viu Sociedade dos Poetas Mortos...mas experimentem ler Thoreau em Desobediência Civil.)

quinta-feira, abril 27, 2006

Vamos usar vereadores como cobais?Fritz Utzeri

"Ela foi conhecida como Gaiola de Ouro nos anos 50. Já tinha fama de antro de corrupção. Agora poderia ser chamada de Gaiola dos Loucos (sem prejuízo da corrupção), devido à aprovação de uma lei que proíbe experiências científicas usando animais. A Lei 325 do vereador Cláudio Cavalcanti, se não for derrubada pelo prefeito Cesar Maia, poderá paralisar até 70% das pesquisas biomédicas em andamento no Rio. Convém lembrar que a maior instituição de pesquisa biomédica do Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz, fica na cidade. O vereador é um mentecapto, junto com sua mulher, Maria Lúcia Frota, a mesma que, indicada como secretária de Proteção Animal pelo prefeito, nomeou um cachorro como oficial de gabinete. (O pior é que o cão foi, provavelmente, o mais inteligente, aplicado e íntegro ''funcionário'' do gabinete.) Alega o edil que hoje em dia a pesquisa com animais não é necessária à ciência, o que é uma idiotice. É assombroso que pessoas sem o menor preparo ou informação possam legislar sobre matéria que desconhecem por completo. O que eles querem? Que os testes sejam feitos em humanos? Talvez o vereador se apresente como voluntário e tenho certeza de que a ciência seria bem servida se a Gaiola fosse transformada em biotério. E os vereadores que votaram tal lei fossem postos à disposição dos cientistas para testar vacinas e medicamentos, antes de liberá-los para uso dos racionais.
Conheço uma cientista de Manguinhos que teve que abandonar uma linha de pesquisa de anos sobre Doença de Chagas porque uma alucinada, de uma ONG que mistura proteção animal com ufologia, processou-a por usar gambás em seu trabalho. O gambá é um animal que fascina os cientistas. O interesse é devido ao fato de que o bicho tem um sistema imunológico tão extraordinário que, contaminado por qualquer doença capaz de matar outros animais (e o homem), como o vírus da raiva, neutraliza todas elas, e vive muito bem, embora continue infectado. Não há dúvida de que existe crueldade em laboratórios, mas isso é exceção, produto de algum desvio de conduta e de caráter e sujeito a sanções. A comunidade científica obedece a protocolos estritos elaborados para evitar o sofrimento de cobaias. Os laboratórios são fiscalizados permanentemente por comissões de ética, como ocorre em Manguinhos e nas universidades. Sou contra, por exemplo, a vivisseção em aulas de medicina e biologia. Quando estudei medicina odiava essas práticas, aí sim desnecessárias por não se tratar de ciência, mas de mera demonstração. Porém, como evitar o uso de bichos em cirurgia experimental? Ou será que deveríamos usar meninos de rua antes de operar gente? Se o mix de vereador e ex-canastrão global estiver de fato preocupado com o bem-estar animal, por que não dá uma olhada em granjas onde milhares de galinhas são enjauladas, dia e noite, em grupos de três ou mais, presas, sem poderem se mover ou ver a luz do sol, pondo ovos e mais ovos, até a morte, tendo inclusive seus bicos cortados para que, no estresse e no desespero, não se matem a bicadas? Por que não vê as granjas onde os animais não podem sequer dormir, mantidos em ambientes com luz 24 horas por dia, superalimentados e ''bombado'' com hormônios de crescimento, para serem abatidos na metade do tempo que levaria o seu desenvolvimento normal e entupidos de antibióticos? Essas aves, consumidas, são nocivas à saúde por causa dos hormônios e dos antibióticos, que criam cepas de superbatctérias. De onde esse sujeito acha que saiu a gripe dos frangos que nos ameaça? "
E ele ainda tem o topete de afirmar que os cientistas ''vivem nababescamente fazendo pesquisas inócuas''. Essa descrição se encaixa - à perfeição - na atividade dos vereadores. O que eles fazem de útil, além de distribuir comendas, dar nomes a ruas, fazer decretos idiotas? Vereador, em país civilizado, é atividade não remunerada. Aqui virou profissão e fonte de negócios. Garanto que, se fechassem a Gaiola de Ouro e empregassem o dinheiro na construção de escolas e no ensino de ciências, o Rio e o Brasil sairiam ganhando e muito. Fonte: Jornal do Brasil".
Não sei onde vamos parar num mundo onde um cachorro ou um camundongo valem mais que um ser humano.Fiquei horrorizada com uma reportagem do Fantástico a esse respeito, acho que no domingo de Páscoa (e olha que nunca vejo Fantástico, nem nda na Globo, tenho os 2 pés atrás-e talvez uma mão- com esses meios de comunicação em massa que ditadores de opniões). Quem acha que seu totó vale mais, desculpe mais esses deveriam virar baratas, ou algo pior e serem devorados por algum predador faminto.Tenho gatos (Ares e Billy) e um cão (Jack), eles são muito queridos, porém preferiria vê-los em laboratórios do que ter um inimigo meu servindo de grupo teste pra água mineral.

sexta-feira, abril 21, 2006

.... ....

Eu acordada desde 4:00hs...céu cinza e essa chuva de pinga-pinga que não tem um relâmpago e não cai logo forte..Chuva indecisa...Ares olha a chuva, sentando na janela.É meio louco para um gato, mas tenho certeza que ele adora chuva e pensa seriamente em tomar um banho numa chuva forte qualquer dia desses...Estou impaciente e minha cama parece tão grande que poderia passar o dia inteiro rolando e não chegaria ao fim...
Ouvindo Placebo...O Ares também gosta.Leo Frasson diz que é música pra cortar os pulsos.Ainda bem que estou contente demais pra isso.

Without you I'm nothing (Placebo)

Strange infatuation seems to grace the evening tide
I'll take it by your side
Such imagination seems to help the feeling slide
I'll take it by your side
Instant correlation sucks and breeds a pack of lies
I'll take it by your sideOversaturation curls the skin and tans the hide
I'll take it by your side
Tick tock
Tick tock
Tick tick
TickTick
Tick tock
I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen
I seem to lose the power of speech
You're slipping slowly from my reach
You grow me like an evergreen
You've never seen the lonely me at all
I
Take the plan, spin it sideways
I
Fall
Without you I'm nothing
Without you I'm nothing
Without you I'm nothing
Take the plan, spin it sideways
Without you I'm nothing at all...

quarta-feira, abril 12, 2006

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo II

"Falar é completamente fácil quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá. Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz. Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer. Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração. Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil. Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas... Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa. Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama. Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas. Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros. Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta. Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria. Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro. Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro. Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata. "

Texto atribuido a Carlos Drummond de Andrade...Achei num blog por aí.

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo

Hoje, no teatro, duas amigas minhas nutriram um amor-de-uma-hora por um pianista (pertencente a um conservatório francês...).Como elas iriam emborar antes do fim da apresentação, fiquei dizendo que pediria para ele autografar meu programa e assim chegaria bem perto dele.Elas ficaram eufóricas.Daí um amigo meu comentou um pouco desdenhoso:
"Mulher gosta de um amor platônico..."
Juro que eu ia revidar mas lembrei que não podia.Eu também tenho um desses "amores" impossíveis.Mas eu senti uma necessidade de calá-lo, como se alguém fosse descobrir meu segredo se ele comentasse isso outra vez.De repente,um insight:ele também tinha uma paixão assim, platônica, e tratei de lembrá-lo disso.Voltando para casa, conversamos sobre a paixão dele e fiquei sem entender como acabamos adorando alguém que só o fato de estar existindo e feliz nos deixa felizes...Eu queria ter uma fórmula "anti-amorplatônico".Aliás, queria criá-la, talvez ficasse rica!Lembrei de um poema de Camões, saido dos baús secundaristas de minha memória....

Transforma-se o amador na coisa amada

Por virtude do muito imaginar;

Não tenho, logo, mais que desejar,

Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,

Que mais deseja o corpo de alcançar?

Em si somente pode descansar,

Pois com ele tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,

Que como o acidente em seu sujeito

Assim com a alma minha se conforma

Está no pensamento como ideia;

E o vivo e puro amor de que sou feito

Como a matéria simples busca a forma.

sábado, abril 08, 2006

Decifra-me ou Devoro-te... (ou reflexões filosóficas a respeito de um barquinho)

Reflexões filosóficas?tô ficando pretensiosa....rs
Era uma manhã em que eu não sairia de casa por nada, talvez fosse a TPM, talvez não fosse coisa alguma.Eu apenas quis ficar em casa...Tenho que aproveitar enquanto ainda me cabem esses desatinos.Assim, fiquei no MSN com um amigo, tentando abstrair as nuvenzinhas negras, cheias de relâmpagos, que vez por outra pairam sobre mim.Desenhei um barquinho horroroso para ele.Feio e frágil, não sobreviveria a um tênue beijo do mar...Meu amigo não assustou-se com a feiúra do barco.Ou pelo menos não demonstrou, apesar de ter feito um muito legal depois (é, pensando bem, acho q essa foi sua maneira de dizer o quanto estava feio: fazendo um bonito...)Eu disse a ele que costumava a rabiscar barcos em tudo que era papel.Barcos e meu nome, principalmente se estivesse distraída...
"-E qual a explicação da Annie a respeito?" - alguns minutos atrás, nos imaginávamos os felizes ganhadores da megasena acumulada.Num momento inter-devaneios, eu disse que estávamos entrando em surto psicótico, segundo a minha irmã me dissera uma vez...)
"-Solidão..." - parece dramático mas escutei isso dela e de muitas outras pessoas, sobre essa minha mania de rabiscar barcos, mesmo sem perceber.
daí, ele me disse:
"- De que adianta ser um navio em alto mar que sabe para onde vai mas não sabe onde está."

Segundo esse amigo, isso é um ditado.Eu não conhecia, mas gostei muito.Costumo pensar se as pessoas se dão conta disso.Que a vida é mais do que acordar, beijar a esposa(o) (quando beija...), tomar café, deixar as crianças na escola, ir ao trabalho,voltar para casa, perguntar como foi o dia da família(quando pergunta...), ir pro quarto, fazer amor(mais um se...), dormir e...Com algumas variações, é a vida de milhões de pessoas.Autômatos.E sempre tive medo que um dia fosse a minha...
Raramente alguém se pergunta onde está.Parece nem ser tão interessante assim essa informação.Sabemos onde queremos chegar.Família perfeita, chefia de uma empresa ou repartição,ficar famoso, ter mais de 15 salários de rendimento, largar tudo e ir morar no campo/praia,casar, ser seu próprio patrão...
Por vezes, fazemos até o mapa da estrada mas quando é pra assinalarmos o ponto em que estamos, nova complicação.Já passamos do castelo daquele terrível rei e ainda estamos esperando que ele surja depois da próxima colina e daí não ligamos a mínima para a paisagem (campos floridos, o sol beijando nosso rosto, as oportunidades...).Ou achamos que já se passaram todos os pântanos e cavalgamos alegres e intrépidos rumo ao atoleiro mais próximo...E há aqueles que andam apenas pela impaciência de ficarem parados.Mesmo quando se tem certeza de estar na trilha escolhida, a estrada real, cercada por trigais,há poucas milhas da vila mais próxima - onde pode-se descansar das inquietações cotidianas- sempre haverá um "desinformante", um ser não-requisitado, para contestar a precisão do mapa, a escolha do caminho, os benefícios do lugar onde se quer chegar e até o que está plantado à beira da estrada: melancias e não trigo! ("É que parece muito, sabe como é...").
E tudo pode ser pior se o barco não souber que é barco...
"Deus ri de nós",diz Jostein Gaarder, através do pai do pequeno Hans-Thomas em "O dia do Curinga":
“-Você sabe o que sua avó me disse um dia? Ela disse ter lido na Bíblia que Deus está lá no céu e ri das pessoas que não acreditam nele.
-E por quê? – perguntei, Perguntar era sempre mais fácil que responder.
-Muito bem... -começou meu pai. -Se há um Deus, que nos criou, então de uma certa forma somos ‘artificiais ‘ aos seus olhos.Falamos besteiras, discutimos e brigamos entre nós.Depois nos separamos e morremos, compreende?Somos superinteligentes: sabemos construir bombas atômicas e foguetes para ir à Lua.Mas nenhum de nós se pergunta de onde veio.Simplesmente se contenta estar por aqui, dividindo com os outros esse espaço.
-É nessa hora que Deus ri de nós?
-Exatamente. Se nós fôssemos capazes de criar um ser artificial, Hans-Thomas, nós também iríamos rachar o bico de rir se esse ser artificial saísse por aí falando um monte de bobagens sobre os índices da bolsa de valores ou sobre corridas de cavalos, por exemplo, sem se perguntar a coisa mais simples e mais importante de todas: De onde é que eu vim?”

De onde é que eu vim?Onde eu estou?O que há por trás do que demosntro ser? É bem cômodo não pensar sobre isso e implesmente esquecer todas essas coisas. Mas não é muito inteligente fazê-lo.Não que as respostas nos caiam aos pés.Nossos problemas, nossos anseios cotidianos não serão prontamente resolvidos se nos perguntarmos sobre nossa razão de ser..Talvez nunca haja um consenso interno – ou até mesmo externo, se conversamos sobre nossas dúvidas e certezas.
“Decifra-me ou devoro-te!”- a esfinge que assolava
Tebas está em cada um e nós somos o nosso enigma e precisamos resolvê-lo.
E aqueles que não se perguntam, é que já foram devorados.

Tá, eu sei que muita (mais muita mesmo) gente mais gabaritada que eu já escreveu sobre o tema, não sou tão pretenciosa para achar ter dito algo que nunca tenha sido dito, novas idéias, novas teorias,algo brilhante...Mas passei dias pensando em meu barquinho, em meio ao mar,frágil e feio, que até tem bússola e cartas de navegação mas, de vez em quando, não acerto lê-los.

quarta-feira, março 29, 2006

I

-Desdêmona!

Ele abriu as grades.Eu não passava de um trapo imundo de sangue, urina e suor nos odores acres da masmorra.O calor insuportável quase me impedia de respirar.

-Desdêmona!

Não ousei abrir os olhos.Equimoses e hematomas cobriam meu rosto. Não queria ser vista assim.Não por ele.Havia pena e culpa em sua voz.

-Desdêmona... Desdêmona...

Meu nome soava carregado de dor.Seu eco reverberava pela pedra nua das paredes, de onde outrora se ouviam gemidos.Respirei fundo. Tentei abrir os olhos. Só o esquerdo pareceu obedecer-me.

Hans abriu os grilhões e sustentou meu corpo antes do triste encontro com o chão frio.Meus pulsos, em carne viva, doeram ao encontro com o aço frio da armadura, coberto das insígnias causadoras da minha desgraça...Tolos!

-Eu...Eu odeio você...

Foi tudo o que pude falar.Meus ombros doíam pelo tempo em que fiquei suspensa nas correntes.Eu sangrava, mas do orgulho, preceito e das certezas feridos que do corpo...Era esse o amor que o Deus deles pregava?

-Seus cabelos...Dê, meu amor...Ai de mim...Escute-me com atenção...Vou tirá-la daqui...A Lua cheia vai nascer em breve... Quando ela for plena nos céus, vá de encontro à parede norte... Corra para ela...Não tenha medo!Ah...Não preciso recomendá-la a não temer...Quisera eu ter sua coragem...Que desgraçado sou...Oh, Deus, eles precisavam cortar seus cabelos também?Oh, céus!Que desgraçado sou...Terei um dia seu perdão?-Havia algo de loucura e desespero em sua voz. E não parava de acariciar-me a cabeça.-Seus cabelos...Oh, meu Deus...Cubra-me com Sua Piedade...Perdoe-me, Desdêmona, perdoe-me...

Seus pedidos de perdão não restituiriam a ninguém a vida, não apagariam essas torpes e amargas memórias.Ele colocou em meus lábios algo tão doce quanto as danças realizadas nos prados, suave e frio como o toque da urze orvalhada em pés descalços.Se em mim restassem forças, haveria cuspido-lhe a face.

Tentei repetir mentalmente tudo o que ele dissera.Presenciei muito para saber que não me esborracharia na parede se essa fosse a vontade dos deuses.Ou cairia naquele profundo abismo que muitos diziam não ter fim, mas eu sabia que apesar da longa queda, havia um fim entre as rochas e o mar, razão de sua terrível fama.

Por que Hans se arriscara tanto?Meu corpo doía e ansiava demais pelo ar puro e o vento batendo em meu rosto para questioná-lo seriamente.Olhei através das grades.A Lua não demoraria a nascer...

Ele deixou-me estendida no catre.Temia que eu morresse antes da fuga.

-Boa Sorte...Que seus deuses a protejam...

Hans se foi.Eu me perguntava se acharia forças para chegar até a parede...Oito pés a separavam se mim e era algo instransponível.A Lua adentrou o cárcere, enfim inundando tudo.

-Coragem, filha!Ainda não é sua hora!Levanta!

A voz era o doce murmúrio do mar, o assobio do vento nas palhas do telhado ou seu doce sussurro enquanto fazia amor com as árvores.Era a chuva da primavera, os sons esquecidos das vozes dos carvalhos nos bosques, o uivo do lobo nas noites de caça...De repente, eu pulsava. Como a terra das colinas onde correm os cervos a celebrar antigos ritos... Como o pulsar de quando homem e mulher se tornam um...

-Mãe!

Eu me ouvi gritar.Abri os olhos.Meu corpo se lançava ferozmente à parede, atravessando-a...E eu caia...Meus ossos doíam ao sabor gélido do vento.A iluminada torre dos meus algozes ficava para trás.Alegrava-me as rochas à uma morte desonrosa e eu estava aproximando-me delas.Disse adeus ao céu, aos elementos, às estrelas -minhas irmãs...Estava pronta...

Percebi algo voando em minha direção, como uma grande águia, mas não o era.Um grifo!Eu estava sonhando!Ou então morrera e esse era o ser que atravessa as almas rumo ao outro mundo...

Seu bico rasgou-me a pele, jogando-me para o alto.Fui aparada em suas plumas macias.

-Segure-se, menina - sua voz era um estridente e suave, com o tom se quem viveu muitas luas.Garanto-lhe uma bela fogueira e irmãos ansiosos para dispensar-lhe seus cuidados.

Uma prece surgiu em meus lábios.Esse não era meu fim.Eu estava apenas começando...

Tristeza

"Se eu pudesse transformar em qualquer coisa minha tristeza... E essa adoração que teima e perdurar, quando me terá fim?Eu a nego. E me nego.Mas nada muda. Eu me prendi nessa teia e agora é tão difícil soltar-me... Eu já sei toda a razão para esse nunca. E nem espero nada. Compreendo-te. Congratulo-te....Mas não posso beijar outra boca pensando no breve contato dos teus lábios com os meus. Não consigo estar bem em outros braços quando só desejo teus abraços, teu hálito quente a paralisar-me os sentidos e hibernar minhas ressalvas a qualquer coisa..."


para Suhelen, que creio passar por algo bem parecido....

terça-feira, março 28, 2006

Eu



Lua Negra

Calendário Lunar 2006

( d=dia;h=hora;m=minuto....horário de Brasília)

      Nova           Crescente         Cheia         Minguante    
     d  h  m          d  h  m        d  h  m         d  h  m
                 Jan  6 15 56    Jan 14  6 48    Jan 22 12 14
 Jan 29 11 15    Fev  5  3 29    Fev 13  1 44    Fev 21  4 17
 Fev 27 21 31    Mar  6 17 16    Mar 14 20 35    Mar 22 16 10
 Mar 29  7 15    Abr  5  9 01    Abr 13 13 40    Abr 21  0 28
 Abr 27 16 44    Mai  5  2 13    Mai 13  3 51    Mai 20  6 21
 May 27  2 26    Jun  3 20 06    Jun 11 15 03    Jun 18 11 08
 Jun 25 13 05    Jul  3 13 37    Jul 11  0 02    Jul 17 16 13
 Jul 25  1 31    Ago  2  5 46    Ago  9  7 54    Ago 15 22 51
 Ago 23 16 10    Ago 31 19 56    Set  7 15 42    Set 14  8 15
 Set 22  8 45    Set 30  8 04    Out  7  0 13    Out 13 21 26
 Out 22  2 14    Out 29 18 25    Nov  5  9 58    Nov 12 14 45
 Nov 20 19 18    Nov 28  3 29    Dez  4 21 25    Dez 12 11 32
 Dez 20 11 01    Dez 27 11 48                             

Eu amo essas coisas, fases da Lua (esse calendário já devia estar por aqui faz tempo...), marés, solstícios, equinócios, épocas de colher e plantar, posições dos astros no céu...enfim , os ciclos da Terra, a ordem que nos rege mesmo sem nos darmos conta dela.
Alguém que não conheço mandou esse texto pro meu e-mail.Fiquei encantada.

"Amanhã teremos mais uma noite de Lua Negra... noite da Lua que está e não está.
Um momento importante na Roda do Ano, isto porque as noites de Lua Negra servem para um contato mais íntimo com nos mesmos, num processo mensal, assim como os Esbás. A diferença, é que no Esbá, solicitamos a presença das forças Divinas, nos postamos sob a luz da lua e dela extraímos novas energias para um novo período e no rito de Lua Negra, nos vemos solitários, sob uma lua sombria e buscamos mergulhar em nós para iluminar a partir de nosso próprio poder, nossa alma, para mais um período.
É um momento em que mergulhamos fundo em nós mesmos e vamos rumo ao encontro de nossa Sombra. Somos nós e nossos conteúdos interiores a quem nós represamos,censuramos, repreendemos. Gestos, pensamentos,sentimentos, que nos causam incômodo, e que nesta noite, devemos exteriorizar, observar, compreender,aceitar e transformar esta energia que nos incomoda mas que faz parte de nós, em energia produtiva,criativa,construtora.amanhã é noite sem Lua, noite de desnudarmo-nos e depararmos com nossas forças instintivas."

É uma época de autoconhecimento,pois saber até onde somos capazes de ir é importante para que nunca ousemos a tanto... É pena eu saber meus desejos para essa noite de Lua Negra e ter a certeza que não vou realizá-los nessa noite ou em outra qualquer, mas "cuidado com o desejas..."

Em tempo: A Lua Nova nos proporciona uma ocasião perfeita para observar o céu(lindo, majestoso, coalhado de estrelas...Experimente ir aonde as luzes da cidade não lhe alcançam...)Daí, não tenho dúvidas do sucesso da escolha que alguém fez, há muito tempo, em chamar de Via Láctea nossa modesta casa.Que inspiração!

domingo, março 26, 2006

Dollars and cents



Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Por que sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles.


Pois é, achei essa dupla na net, num fórum qualquer da vida...Lindos,cada um à sua maneira...
E por falar em reputação, eu devo estar com uma péssima...Na sexta havia um jantar para ir (superimportante, pela formatura de alguém que mora no meu coração...).Depois do jantar, show com outra amiga.As duas disseram: olha lá, não fura! No que na hora de ir, aparece uma terceira pessoa.Alguém que já foi, mas hoje nem é tão meu amigo assim.Alguém que deu provas de que...ah,nem adianta (e nem cabe aqui) explicar o que houve com esse "amigo".O certo é que fui ajudá-lo.Em algo que nem era só para ele.Talvez se ele só estivesse envolvido não teria minha ajuda.Talvez até tivesse sim, por que sou muito boba quando precisam de ajuda.E assim perdi o jantar, o show,a noite de sono na sextas, a manhã de sábado (e inclusive eu tinha compromisso para ela...) e fiz algo que imaginava fazer, mas não me animava para tanto (é um crime praticamente...é previsto em lei punição pra isso...Calma gente! Código de Trânsito...).
Então,quando finalmente cheguei em casa,por volta do meio dia, eu só queria tomar banho e comer...Depois, meus olhos foram ficando pesados, meu corpo rendeu-se ao cansaço e apaguei - tive uma semana de, em média, 3 horas de sono por noite e duas noites em claro....E dormi ouvindo Radiohead...(
There are better things to talk about/Be constructive/Bear witness /We can use /Be constructive/With yer blues/Even he turn the water blues/Even you turn the water green) Dormi, dormi....dormi...dormi....Duas amigas, que estavam aqui em casa durante todo o fim de semana, me acordaram perto das 21 horas e pediram que eu comesse algo.Fiquei acordada por quase uma hora e dormi de novo, só saindo desse"torpor" às 8 horas da manhã de domingo.
Odeio quando durmo demais, fico naquela que perdi tempo, mas não dessa vez ....(apesar de ter marcado cinema no fim da tarde e furado de novo....) Tinha algo a mais nesse sono, foi mais que repador do corpo....E não foi pelos sonhos com o velho jipe do meu pai, sendo dirigido por mim na chapada ou pela guerra medieval, a qual tomei parte no meu segundo período de sono.É que eu estava há dias sem parar.Caindo de um monte de coisas para fazer em outro monte delas...Acordei ainda tendo muito a resolver,mas sumiu aquilo de correria e afobação que estava me consumindo.
Quanto à minha má reputação agora, quem vai enteder?Mas meus neurônios agradecem pelas dezoito horas de sono...

sexta-feira, março 24, 2006

O cavaleiro jura bravura.....


"Prometo que no exercício da profissão de Farmacêutico mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que forem revelados, os quais terei como preceito de honra.Juro que no exercício da profissão a que hoje me habilito, acima de tudo me norteará o princípio de ser útil à sociedade a que pertenço, preocupado em melhorar as condições de pleno desempenho das funções vitais dos seres humanos que somos, acima de quaisquer ambições, interesses ou ideologias. Nunca me servirei de minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens: se o infringir ou dele me afastar, suceda-me o contrário.Assim, Deus me ajude."

Hoje foi a colação de grau em Farmácia da Nataly.O juramento acima não foi exatamente o qual Nataly pronunciou, mas é bem parecido com o eu que fiz alguns meses atrás -é que o Conselho de Farmácia permite algumas variações- mas o espírito é o mesmo.E sempre me emociona,marca a alma com a pura vontade de nunca me afastar dele, seja por que for.E não quero que esse sentimento seja apenas o entusiasmo dos primeiros anos, mas que me oriente sempre.Pois valores como honra e solidez de caráter nunca deverão passar num mundo que carece tanto e a ética profissional beira a extinção.
Lembranças diversas me vieram à mente.Foram 6 longos anos - um a mais do que deveria-e eu passava mais tempo na faculdade que em casa.O velho Palacete da Lágrimas...Hoje, me senti estranha desde o momento que o vi.Havia saudades na maneira de andar, de olhar, no ato de subir as escadas bicolores, escorregadias em dias de chuva, de me encaminhar para o auditório,até respirar ali.Desde novembro eu não até lá.Parecia não haver passado muito tempo da primeira vez que entrei na Faculdade de Farmácia.Meu Deus! E quanta coisa aconteceu...Eu não sou a mesma pessoa, meu mundo definitivamente não é o mesmo e nem a maneira que o encaro.Fico pensando no que mudaria se começasse tudo outra vez....

quinta-feira, março 16, 2006

Eu - Álvaro de Campos

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

segunda-feira, março 13, 2006

Beijos e Absinto

Sinto a verde seiva inundar-me as entranhas.Uma, duas, três,quatro vezes.Minha alma também está amarga, sinto o gosto da losna e os males da minha falta de costume.Meu corpo inteiro é calor e torpor.Estou pronta para o sonho feérico.Pulsante, esplendoroso, febril...A Terra pára.Por alguns instantes sou eu quem gira. Aos poucos os vapores tornam-se menos densos.Meus sentidos acordam, mas o som do blues parece vir de outra dimensão.Um sussuro em francês me chega ao ouvidos.Não entendo o que diz, mas ele sorri e se aproxima mais...Um Sidhe!Parecia nunca ter saído ao sol e era alto e esguio.Seus olhos negros eram fogo enquanto sorria.E perguntou meu nome...Um papo legal, inteligente do jeito que gosto, sobre coisas que gosto.Não sei se foi a noite inteira ou apenas um segundo.Sei que depois seus lábios eram macios, a língua quente, ávida, doce...Seus carinhos ternos mas com o sabor de seus olhos...Oh, céus! Estávamos descendo as escadas para "tomar ar" na rua estreladaa e eu nem sabia seu nome!E me arrependi por perguntar.Meu Sidhe tinha um nome adorado, desejado mesmo enquanto durmo.Por que esse nome?justo esse nome?!Quis imaginar como seria,mesmo sabendo que meu adorado ser onírico nunca estaria ali, todo de preto numa rua do Reviver, com um desejável sorriso de demônio nos lábios...Eu tinha que esquecer!Então, embriaguei-me mais uma vez em seus beijos de Sidhe e esperei minha consciência dizer que horas eu deveria ir embora...



Desdemona Shade

sexta-feira, março 10, 2006

Introverted iNtuitive Thinking Judging (eu, segundo Jung)


Seu modo principal de viver é focado internamente, absorvendo fatos primariamente através da sua intuição. Seu modo secundário é externo, através do qual você lida com as coisas de acordo com a maneira com que você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema pessoal de valores.
Você é uma pessoa gentil, carinhosa, complexa e altamente intuitiva. Artístico e criativo, você vive num mundo de significados e de possibilidades ocultas. Apenas 1% da população mundial tem características de personalidade como a sua, fazendo desse o tipo mais raro de todos.
Você dá grande importância a ter as coisas organizadas e sistematizadas no seu mundo exterior. Você emprega um grande bocado de sua energia identificando o melhor sistema possível para fazer as coisas acontecerem e constantemente define e redefine as prioridades na sua vida. Por outro lado, você funciona intuitivamente e de maneira totalmente espontânea dentro do seu mundo interior. Você conhece as coisas através da intuição, sem ser capaz de explicar exatamente por que, e sem ter um conhecimento detalhado do assunto. E você está freqüentemente certo, e sabe quando esse é o caso. Conseqüentemente, você põe muita fé nos seus instintos e nas suas intuições. Isto é algo como um conflito entre seu mundo interno e externo, e possivelmente resultando em você não ser tão organizado quanto a maioria das pessoas que preferem uma vida estruturada. Isso se demonstraria através de sinais de desordem (quando na verdade você teria uma tendência a ter as coisas organizadas), como por exemplo, no caso de uma mesa de trabalho aparentemente bagunçada.
Você tem uma compreensão intuitiva afiadíssima sobre pessoas e situações. Assim, você tem aquele feeling sobre as pessoas, entendendo-as intuitivamente. Como um exemplo extremo, você pode até relatar eventos de ordem sobrenatural, como por exemplo, sentindo algo forte que te diz que houve algum problema uma pessoa amada, e vir a descobrir depois que ele sofreu um acidente de carro. Esse é o tipo de coisa que as outras pessoas podem vir a tirar sarro, mas nem você realmente compreende sua intuição num nível que possa ser transformado em palavras, para que você possa explicar isso aos outros. Conseqüentemente, você acaba escondendo seu “eu interior”, dividindo seus sentimentos apenas com aqueles que você escolher dividir. Você é um indivíduo complexo e profundo, é bastante reservado, e tipicamente difícil de compreender. Você esconde boa parte de suas intenções, e pode ficar guardando dentro de si diversos segredos que você poderá não compartilhar com ninguém.
Mas você é uma pessoa tão genuinamente calorosa quanto é complexa. As pessoas mais próximas a você te querem muito bem e podem enxergar suas qualidades especiais e a profundidade com que você se importa com elas. Assim, você se importa com os sentimentos das outras pessoas e tenta ser gentil, evitando magoá-los. Você é muito sensível a conflitos, e não os tolera com facilidade. Situações que são carregadas de conflito podem te levar do seu estado normal e pacífico para um estado de agitação e raiva elevada. Sob estresse você tende a internalizar os conflitos no seu corpo, podendo desenvolver problemas de saúde.
Por você ter capacidades intuitivas tão fortes, você crê acima de tudo em seus próprios instintos. Isso pode resultar em você se tornar um cabeça-dura e a ignorar as opiniões das outras pessoas, pois você acredita que você está sempre certo. Por outro lado, você é um perfeccionista que sempre se pergunta se está utilizando todo seu potencial. Você raramente está em paz completa consigo mesmo, pois sempre há algo que você pode fazer para evoluir ou para melhorar o mundo à sua volta. Você acredita em crescimento constante, e geralmente não passa tempo se lembrando das suas conquistas. Você tem um forte sistema de valores, e precisa viver sua vida de acordo com o que sente ser o correto. Com relação ao seu lado emocional, você é de certa maneira gentil e tranqüilo. Por outro lado, você tem altas expectativas de si mesmo, e freqüentemente da sua família, e você não acredita em entrar num acordo quanto aos seus ideais.
Você naturalmente cuida das pessoas, é paciente, zeloso e super-protetor. Você pode ser um ótimo pai/mãe e gostará de criar laços fortes com seus filhos. Você tem altas expectativas deles, e os pressionam para ser o melhor que puderem, e isso pode se manifestar através de atitudes duras e inflexíveis para com eles. Mas, de um modo geral, seus filhos receberão uma educação forte e sincera de você, juntamente de muito carinho.
No ambiente de trabalho, você é atraído por áreas onde você possa ser criativo e trabalhar de uma maneira independente. Você tem uma afinidade natural para a arte, e pode também obter sucesso trabalhando com as ciências, onde você poderá utilizar sua intuição. Você também se dará bem em profissões orientadas à prestação de serviços. Você não é bom em lidar com coisas muito detalhadas ou com tarefas muito delicadas. Assim, você provavelmente tentará evitar esses tipos de situação, ou acabar indo para o lado oposto e se envolver tanto com os detalhes até o ponto de você perder a grande visão do seu propósito com aquilo. Se você tomar o rumo de ser meticuloso com os detalhes, você pode se tornar altamente crítico com as outras pessoas que não são assim tão meticulosas quanto você.
Mas lembre-se: você tem qualidades que pouquíssimos têm. A vida, porém, não será necessariamente mais fácil para você, mas saiba que você é capaz de obter incríveis conquistas pessoais, guiado pelos seus sentimentos profundos.
Muito bom o teste! vale a pena se assustar com os resultados...Pareceu comigo?Achei q sim e demais até!

quarta-feira, março 08, 2006

Dedinhos de Iaiá

Resolvi em cima da hora ( pra ser mais exata,1 dia antes) ir ao congresso de Medicina Tropical, em Teresina, bem aqui ao lado.E eram só 5 dias.O problema é que eu estava 12 dias ausente (bem mais distante e eu estava em casa há apenas 9 dias), por isso meu pai não estava tão disposto a aceitar essas minhas decisões de "viver no mundo", como ele costuma dizer. Nós passamos pouco tempo juntos esse mês:quando eu ficava em casa era ele a não estar.
Havia marcado para sair de São Luis às 9 hs de sábado. Cheguei em casa 23 hs e um pouquinho na sexta e ele estava( depois de uma semana fora).Não reclamou, apenas me deu um beijinho e conversamos sobre o que ele fez quando estava fora .
Acordei muito cedo, ainda haviam as malas pra arrumar.Meu pai foi comprar pão e preparar nosso café da manhã(eu nunca compro pão, não gosto muito.E o pão que faço sai uma pedra,nas festas de fim de ano pude ver que não há jeito). Quando consegui terminar, papai tinha a mesa posta com coisas típicas daqui do Nordeste que ele gosta muito:canjica e bolo de macaxeira, além de um pão quentinho, derretendo a manteiga.E havia prepado chocolate quente para nós.Eu amo bolo de macaxeira e comentei que aquele estava muito bom.Meu pai provou e comentou:
_Ah, é porque você não lembra dos que eu fazia quando você era criança, Dedinhos de Iaiá...
Lembro de minha mãe falando que ele a havia ensinado a fazer bolo, já comi caruru e camarão que ele fez, mas bolo, eu não lembro ...Ainda mais desses "dedinhos"...
_Por que Dedinhos de Iaiá?É o nome do bolo?
Meu pai não costuma falar muito sobre sua infância ou adolescência.Minha avó era nossa única "fonte de informação".Mas nessa manhã ele falou. Iaiá era uma mulher que fazia bolinhos de macaxeira para meu pai quando ele era bem criança.Por isso ele chamava bolo de macaxeira assim, mas não havia nenhum tão bom quanto o dela.E era essa a receita que ele aprendeu, de tanto vê-la fazer e os fazia quando eu era criança e que hoje não lembrava mais da receita.E principiou a descrever
como a dona da receita o fazia, a textura e sabor do bolo, e achei ter gosto de infância(Havia um tom tão saudoso e apaixonado em sua voz que meus olhos marejaram).
Há dias em que tenho a certeza de que vivi muito, 24 anos é muito tempo e estou quase fazendo 25, o que, pelas estatísticas, pode ser a metade dos meus dias.Por vezes invejo a serenidade do meu pai com relação a isso.Ele tem quase 3 vezes minha idade e faz planos como se fosse viver até os 200 anos.Nunca o vi dizer que algo não era para a idade dele ou tratar a vida com menos vigor.O que eu sinto por ele passa perto da adoração(mamãe sempre diz que da parte dele também é algo assim).Mas vivemos divergindo em vários aspectos ,detesto quando ele discorda comigo e sei que é mútuo. Não gosto nem de pensar na vida sem meu pai.
Não dá para encontrar a receita dos tais dedinhos mas tentarei achar algo parecido... ( o que não será fácil pelas minhas aptidões na cozinha...Ainda bem que meu pai gosta de qualquer coisa que faço.. :)

terça-feira, fevereiro 28, 2006

May the force be with you

O início... 27/02-13:30
O fim...28/02-03:35 (repare as caras amassadas e cabelos assanhados..rs)
Conseguimos! Momento histórico!Mesmo com alguns cochilos, assistimos todos...E ainda teve a reunião do Clube dos Caminhoneiros, agora com 5 membros!rs...Valeu cada minuto! Ana e Mateus, parabéns! vcs mostraram bravura! não pregaram o olho! :)
ah, na foto com os DVD's, da esqueda para a direita, os padawans Aline, Leo,eu,Ângela, Ana e Mateus...





sábado, fevereiro 25, 2006

Mal posso esperar....

Esse é o novo poster (e primeiro) do Homem Aranha 3.Atualmente sendo dirigido por Sam Raimi, estreia em 4 de março de 2007.Esse uniforme....ou Eddie "Venom" Brock vem aí com tudo ou essa é uma tremenda pista falsa!


quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Enquanto Houver Sol

Há coisa que esperamos mas preferimos não lembrar que vão acontecer...

"Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde Deus colocou

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol"
Sérgio Britto Titãs

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Estranhão esse Smilinguido no meu blog (sim, a formiga do post abaixo tem nome!), mas me sinto assim de vez em quando... Nadando onde é proibido. Não por inconseqüência (às vezes até é), mas por que acredito em outras coisas, que não são moralmente erradas apenas não muito aceitas socialmente por que preferimos ir com a maré ou não temos coragem de assumir o que realmente somos.
Eu sou alguém incompreendido e raramente me importo com isso.
Eu que escuto o diabinho, que me alegro com a desgraça de quem merece. Que dou conselhos duros a quem amo, por que eles devem ser fortes Eu que tantas vezes fui o diabinho.. Que não ofereço pena ou comiseração, pois acho sempre podemos mais e odeio quem se faz de coitadinho e fica chorando miséria do meu lado. Assim somente damos força aos problemas.
Eu que prefiro a dura e fria verdade a mais terna mentira, que odeio eufemismos e não acredito em nada sem solução.
Eu que acredito em milagres e que as pessoas até merecem uma 3ª ou 4ª chance, mas não comigo, não mais. Que não tenho medo de envelhecer e vejo com prazer a beleza sábia dos olhos de quem já viveu (e aprendeu) muito. Que preciso vigiar e orar, vigiar e vigiar sempre. E não é a os outros que temo, a tentação íntima é sempre a mais forte, meu tirano interior me impele à saber sempre mais,à buscas sem fim... Que me arrasta, como um vento forte emaranha meus cabelos, minhas idéias, dando-me desejos tão intensos que nem devem ser compartilhados.
Não me importo com o que possam falar, esse tempo há muito passou.só preciso crer que faço o melhor a ser feito... Afinal, não é a homens que devo o teor das minhas ações. E continuo buscando os caminhos certos, pois em minha alma moram além do o réu, o juiz e o algoz...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

terça-feira, janeiro 31, 2006

The Blower's Daughter - Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O bom e velho papel

Um dia, eu fui um monge copista... Meus dias eram a biblioteca escura e fria de um rígido mosteiro beneditino, saindo de minhas tarefas apenas após as completas... Ou fui um escriba. Na verdade, devo ter sido alguém que não sabia ler e escrever e achava isso muito mágico, pois adoro ler, adoro papel... O cheiro - de livro novo ainda é melhor, o prazer é duplicado-, a textura, espessura, tipo de fibra, a porosidade... tudo... E amo escrever, desenhar letras, fazer arabescos nos cantos das anotações, mudar estilos, deliciar-me com a tinta tomando forma, criando vida, onde antes era o nada...
Fazia tempo que eu não sentia esse simples prazer. Minha mãe dizia que até minha lista de compras era feita no computador. Com a necessidade de fazer resumos de capítulos dos meus livros-travesseiros, estou me desfazendo desse mal...E voltando ao papel.Isso não é uma involução...Esse post, inclusive,nasceu numa branca folha de papel A4,com letras inclinadas em tinta preta.Minha letra fica mais bonita de preto.
Mesmo nunca pensando no assunto, nós queremos ser lembrados, (re)conhecidos, ter nossas idéias, deixar uma memória. Como dizem: “Ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro”. Não bastava apenas crescer e se multiplicar. Deveria haver uma forma de continuar, de perpetuar-se, alcançar a imortalidade, não ser esquecido.
Assim, o homem construiu (ou melhor, mandou construir) monumentos, cidades, muralhas ou simplesmente seus túmulos, conquistou reinos, dedicou-se à pintura,escultura, inventou, ousou, descobriu e escreveu. Para que a morte não apagasse a lembrança de seus dias.E continuamos assim, deixando um pouco de nós para quem está ao nosso lado ou quem vem depois.
E os primeiros recados nas paredes das cavernas? “Fui ali caçar um mamute, volto na próxima lua.” Ou deixavam pintado o que queriam que acontecesse ou aquela caçada memorável, que todos da tribo deveriam saber que você estava lá, de com você foi corajoso...rs.Das cavernas pra cá, contamos nossas histórias em paredes de templos, bloquinhos de argila, jarros, madeira, papiro, velino,livros escritos de tantas formas, tantos tipos de papéis... isso sem falar em computadores, internet, sites, blogs, flogs...aff ...Precisamos dizer a que viemos, sermos vistos e comentados.Não acredito que alguém exteriorize o que pensa, num conto, poema ou idéia, e realmente não queira ser lido e saber o que todo mundo achou. É do homem não se conformar com sua condição mortal. Sempre queremos viver um pouco mais, mesmo que só a memória, nossas idéias continuando de onde ficamos.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Balada do Céu Negro - Zeca Baleiro

"Não há nada que acalme um coração
Que faz do amargo seu sabor
Nada basta a minha alma que reclama sem paz
Os teus beijos sem amor

Vejo o céu negro derramar
sobre a cidade a sua dor
Meus olhos no rastro do sol
que a tempestade nunca apagou

pra onde vão desejos,
palavras sem razão?
Pra onde vão palavras?
versos ao vento vão "

sábado, janeiro 21, 2006

Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade


Meu poeta preferido...Ele e eu temos algo em comum, além do gosto pela poesia...ambos farmacêuticos.Apesar disso,ele nunca exerceu a profissão, o que provavelmente acontecerá comigo tbm.Deixar uma paixão por outra maior ainda.E, por falar nisso, ontem foi o dia do Farmacêutico, esse dono das ciências da Cura, fiel herdeiro dos alquimistas e feiticeiras.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Algumas pessoas fazem um estardalhaço a respeito de padres confessores e esse costume da Igreja Católica. A meu ver, um hábito bem saudável, gostaria até de saber se alguém aí conhece uma igreja como as dos filmes que o padre ta lá, disponível pra te ouvir... Eu quero ir lá. Sim, não sou católica, eu sei. Tô precisando de alguém que me escute. Sabe por que acho um hábito saudável? Ninguém (teoricamente) precisava se preocupar com o que dizia, pois seu ouvinte estava preso a um juramento e confissão feita era segredo guardado. Quase uma terapia para quem se confessava. Aliás era uma terapia, depois das penitências ninguém mais era culpado.... E eu quero me confessar. Não, não fiz nada de terrivelmente errado. Não menti, não matei, não roubei, não desejei nada do próximo ou tomei o Santo Nome de Deus em vão...Também não fiz acordo algum com coisa alguma, não pratico (nem pratiquei) artes negras (rsrs, ao contrário do que alguns possam achar...) Desobedeci um pouquinho meu pai, mas já me retratei por isso.... São as pequenas aflições diárias, as dúvidas existenciais, os tênues limites do certo e errado, lembranças que doem e quero esquecer ou compartilhar, vontade de ouvir uma segunda opinião, a solidão de quem tá passando horas sem dizer uma palavra até que toque o telefone (a menos que eu cantarole ou fale sozinha), a vontade de ouvir alguém falar de como está se sentindo hoje e até contar seus problemas, discutir um filme ou um livro (nessas o padre não ajuda...). E têm coisas que não dá para achar que e-mail, celular, orkut, ICQ, MSN vão suprir, por que quero ouvir batidas de um coração e a expressão facial da pessoa com que falo e não o som dos meus dedos no teclado e emoticons. Sei que isso estreita laços, tenho provas, mas agora não me adianta.

E o que aconteceu com seus amigos? Talvez alguém tenha se perguntado. Nunca tive muitos amigos, mas sempre procurei cuidar muito dos que tenho. Sou muito fechada e até um pouco chata. Terminei a faculdade, não faço mais parte de um “grupo” por assim dizer... Não há mais aula ou laboratório para me ocupar todo dia. Meus amigos da faculdade (contados a dedo) ou trabalham muito ou estão em outros lugares fazendo pós-graduação. E de outros ciclos viajaram, mudaram de cidade ou estão ocupadíssimos com monografias, relatório do CNPq, um resolveu do nada não ser mais meu amigo (talvez por ter apoiado as mentiras de outro amigo dele com as quais resolvi não mais compactuar), duas estão brigadas entre si (o que dificulta aproximações, pois não quero magoar nenhuma e elas estão muito sensíveis) ou simplesmente eu achei que eram o que nunca foram...Meu pai vive viajando e eu passo o dia entre livros que serviriam de travesseiro e o computador.Só...Ridículo tudo isso, eu sei.Nunca fui de me expor e é isso que tô fazendo...Aff...Se alguém aí conhecer o tal padre, me dê um toque,deixe um scrap ou me mande um e-mail...

domingo, janeiro 15, 2006

In Perfect Harmony (Within Temptation)

In a world so far away
At the end of a closing day
A little child was born and raised
Deep in the forest on a hidden place
Mother never saw his face

Ancient spirits of the forest
Made him king of elves and trees
He was the only human being
Who lived in harmony
In perfect harmony

The woods protected, fulfillled his needs
Fruit by birds, honey by bees

He found shelter under trees
He grew up in their company
They became his family

A thousand seasons
They passed him by
So many times, have said goodbye
And when the spirits called out his name
To join forever, forever to stay
A forest spirit he became


Vale a pena ouvir essa música...às vezes penso que ela me transporta para onde realmente eu devia estar...


sexta-feira, janeiro 13, 2006

"Nesse momento, Elrond saiu com Gandalf, e chamou a Comitiva até ele. -Esta é minha última palavra -disse ele em voz baixa- O Portador do Anel está partindo na Demanda da Montanha da Perdição. Apenas sobre ele recaem exigências: de não se desfazer do anel, nem entregá-lo a qualquer servidor do inimigo, nem sequer deixar que qualquer pessoa o toque, com a exceção de membros da Comitiva e do Conselho, e mesmo assim em caso de extrema necessidade. Os outros partem com ele como copanheiros livres, para ajudá-lo no caminho. A vocês é permitido permanecer em algum ponto, ou voltar, ou desviar por outros caminhos, como o destino permitir. Quanto mais avançarem, mais díficil será recuar; apesar disso não lhes é impingido qualquer juramento ou compromisso de continuar além do que estiverem dispostos. Pois vocês não conhecem a força dos próprios corações, e não podem prever o que cada um vai encontrar na estrada.
-Desonesto é aquele que diz adeus quando a estrada escurece -disse Gimli.
-Talvez -disse Elrond -, mas não jure que caminhará no escuro aquele que ainda não viu o cair da noite.-Ainda assim, o juramento pode fortalecer o coração que treme -disse Gimli.
-Ou destruí-lo."
JRR TolkienO Senhor dos Anéis ( As duas Torres "O Anel vai para o sul")
....
Meio psicótico da minha parte, mas sempre lembro de um trecho d'O Senhor dos Anéis (em negrito) quando ouço juramentos...algo que ficou há anos preso em minha memória e me impede de jurar ou prometer algo por impulso ou levianamente.
Uma das coisas que mais me fascinam é a HONRA, a palavra de alguém q se sabe não mentir, não sucumbir a esse ato infame para preservar o que quer que seja.
Há uma cena de "As bruxas de Salém" q fala muito a tudo o que sinto: aJohn Proctor é oferecida a liberdade, caso ele faça algo que era deliberadamente mentir (não lembro de assumir, inocente, a acusação de bruxaria ou incriminar outros, realmente faz muito tempo) o certo é que ele disse, chorando, que não poderia assinar o tal papel...era seu nome e ele só tinha aquele, como manchá-lo com uma mentira?E ele morre por seu nome.
Por que ninguem entende essas coisas,quando deviam ser a regra?Quando vc se livra de uma culpa ou de uma mentira, ou escolhe não compactuar com elas, é como se seus ombros não mais suportassem o mundo, é vc salvando o que há de mais precioso, sua honra, sua alma....

sexta-feira, janeiro 06, 2006

"É a vaidade, Fábio*, nesta vida
Rosa, que de manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistos
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?"

Gregório de Matos Guerra
*pode colocar seu nome aqui...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Têm coisas que só o Tio Leo faz pra você!

para Leonardo Nakahara
www.leonardonakahara.blogspot.com
I
Um elemento esta vendendo um papagaio no centro da cidade, quando passa um sujeito e pergunta o preço, olha daqui, dali, e pergunta, mas porque esse papagaio tem uma fitinha em cada perna? O dono explicou, quando você quiser que ele diga coisas adoráveis, você puxa a fita branca que está na sua perna direita, ele puxou a fita branca e o papagaio falou: - Oi querido, meu amor, que lindo. E se você puxar a fita preta ele fala mais palavrões do que o Costinha, puxou a fita preta e ele falou: - Lazarento, canalha, e o escambau...
- E se eu puxar as duas? - perguntou o sujeito. O papagaio respondeu: - Aí eu caio seu filho da puta...
II
A do papagaio ... Um casal tinha um papagaio que toda noite quando a mulher passava no corredor para ir dormir, o papagaio virava pra ela e dizia: - Vai dar heim sua vaca!!! Ela foi lá no quarto e disse para o marido que não acreditou, então ela falou. "porque você não se veste de mulher e passa lá' perto dele?" O marido põe o penhoar, passa batom na boca e passa no corredor. O papagaio quando vê ele, diz: - IH, ALÉM DE CORNO É VIADO TAMBÉM ...
III
Um mágico estava fazendo apresentaçõesem um cruzeiro marítimo pelo Caribe.A platéia seria diferente toda semana,então o mágico decidiu fazer o mesmo show toda semana.Existia apenas um problema: o papagaio do capitão do navio,que assistia ao show toda semanae começou a entender como o mágico fazia cada truque.Depois que entendia o truque,o papagaio começava a gritar no meio do show:- Olhem! Não é o mesmo chapéu!No outro número:- Prestem, atenção! Ele está escondendo as flores embaixo da mesa!E no outro:- Opa! Por que todas as cartas são Ases de Espada?O mágico estava ficando furioso,mas não podia fazer nada,afinal era o papagaio do capitão do navio.Um dia aconteceu um acidente e o navio afundou.Só sobrou o mágico, que ficou boiando num pedaço de madeira,no meio do oceano, e o papagaio, é claro.Eles ficaram se encarando com ódio nos olhos,mas sem dizerem uma palavra, por dias e dias...Após uma semana, o papagaio disse:- Ok, desta vez eu desisto. Onde está o barco?

terça-feira, dezembro 13, 2005

100 anos de solidão...



DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
Mário Quintana

domingo, dezembro 11, 2005