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em inconstante definição.

terça-feira, janeiro 20, 2026

2025, um daqueles anos que quase deu certo.


Bem, cá aqui dos dias finais de janeiro, finalmente arrumo tempo para esse desabafo. 

2025! Ah, ano, eu poderia falar tanto sobre você. Sobre o quase, o próximo distante, o que era diáfano e parecia assim ao alcance das mãos. Falar da esperança que falhou, dos dias apreensivos, dos medos, dos desesperos esperançosos, da mente desenhando mil cenários, todos igualmente horrorosos.

Se eu me perguntar a maior lembrança desse ano, me verei pegando o ônibus e indo até a casa dos meus pais, quase 325 km de onde moro, sempre temerosa do que podia encontrar e ainda assim estava na hora de voltar pra casa. Devo ter ido umas 23 vezes em 12 meses. Ir sexta, voltar segunda. A sensação de não estar construindo nada, nem lá nem cá. De estar deixando coisas importantes em dois lugares, gente que precisava de mim - e eu, deles- dividida em dois espaços. Cumulou temor e cansaço onde antes eu até brincava que ia dormindo no ônibus tão bem quanto na cama - sobre isso, não sei: pode ser a idade, as preocupações, a agitação da viagem para uma área turística recém descoberta. Minha mente às vezes parecia um quarto da bagunça, onde eu só colocava mais coisas para voltar a ver quando tivesse tempo. E esse tempo, caro e raro como é, nunca vinha.

O fato é que eu estava sempre exausta e quantas vezes pensei: Ah, 2025, esse ano perdido. Deixei de ir ao grupo do bonsai, larguei as trilhas.Quase não fiz fotos, nada era interessante o suficiente para eu fotografar. Aprovada mas não classificada em concursos, seletivo. Pouca h/a no emprego atual mas podia ter mais, eu que não dei disponibilidade no dias de segunda e sexta por conta dos deslocamentos. Passei por 5 etapas de uma vaga de emprego que seria minha mudança de carreira e do nada foi tudo cancelado. Fui chamada para a entrevista de um dos empregos dos meus sonhos - terceirizada e bem a lá apocalipse zumbi, confesso - mas nada do governo efetivamente abrir a vaga. Aprovada na residência mas não com pontos suficientes para ser realmente uma concorrente. Foi muito quase, como o vento ou areia escapando entre os dedos.

Nossa, agora lembrei da Ana Luisa, dizendo que anos ímpares são ruins. Me pego discordando em concordar. Talvez seja isso mesmo. E eu acredito no caos e na ordem. Acho que mais no caos.E não venha com essa que astros  ou sei lá o que tem influência direta sobre o que a gente faz ou segue na vida. É bonitinho mas carece de método e reprodutibilidade. 

E eu não sei se aprendi sobre resiliência por que nem lembrei dela. Eu apenas segui. Sabendo que se eu ficasse triste demais,  ansiosa demais, se eu me desregulasse, não haveria ninguém para me dar a mão e me ajudar a sair do poço, afinal esse papel constuma ser meu: dar a mão ou ao menos segurar uma lanterna. Mas, pensando bem, agora essa palavra faz todo o sentido. A vida é combate.

E não escrevo isso por estar mal, não. Longe disso. Talvez seja um dos consolos do caos. Ou só o rebrotar da esperança. Hoje- quando mais uma vez pensava em soprar a poeira desse blog e escrever um pouco sobre o ano cansativo que passou- aparece a postagem de uma ex-aluna: Olhe ao redor e concentre-se no que deu certo. 

2025. Ano que terminei veterinária (que demorei 13 longos semestres para finalizar, afinal esse curso já foi trancado, eu não fazia todas as cadeiras em vários semestres, tive reprovação por não finalizar o TCC, teve período sem matrícula, precisei pedir reingresso...). Ano que o I finalmente recebeu a notícia da cura de uma doença grave e a melhoria e remissão de várias das sequelas. Ano que minha irmã mais nova concluiu um sonho ao finalizar o curso de medicina. Ano que realmente vi eu tenho base, que se eu estudar as coisas vão caminhar ( ainda esbarro na falta de tempo, mas tive bons resultados abrindo só o edital, imagina se...). Ano em que vi meus pais todos os meses, mas de uma vez até. Ano em que finalmente trouxe a tona algo que já era urgente e pensei deliberadamente sobre meu próprio envelhecimento e planejei algo que está guiando muitas decisões ( inclusive a de fazer um concurso público).

Olhe ao redor e concentre-se no que deu certo. 

É isso aí, 2025. Ainda não dá para dizer gratidão, obrigada e sei lá mais o que. Consigo dizer nós nos  toleramos, superamos e seguimos, cada um com suas verdades.

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