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em inconstante definição.

quarta-feira, março 29, 2006

I

-Desdêmona!

Ele abriu as grades.Eu não passava de um trapo imundo de sangue, urina e suor nos odores acres da masmorra.O calor insuportável quase me impedia de respirar.

-Desdêmona!

Não ousei abrir os olhos.Equimoses e hematomas cobriam meu rosto. Não queria ser vista assim.Não por ele.Havia pena e culpa em sua voz.

-Desdêmona... Desdêmona...

Meu nome soava carregado de dor.Seu eco reverberava pela pedra nua das paredes, de onde outrora se ouviam gemidos.Respirei fundo. Tentei abrir os olhos. Só o esquerdo pareceu obedecer-me.

Hans abriu os grilhões e sustentou meu corpo antes do triste encontro com o chão frio.Meus pulsos, em carne viva, doeram ao encontro com o aço frio da armadura, coberto das insígnias causadoras da minha desgraça...Tolos!

-Eu...Eu odeio você...

Foi tudo o que pude falar.Meus ombros doíam pelo tempo em que fiquei suspensa nas correntes.Eu sangrava, mas do orgulho, preceito e das certezas feridos que do corpo...Era esse o amor que o Deus deles pregava?

-Seus cabelos...Dê, meu amor...Ai de mim...Escute-me com atenção...Vou tirá-la daqui...A Lua cheia vai nascer em breve... Quando ela for plena nos céus, vá de encontro à parede norte... Corra para ela...Não tenha medo!Ah...Não preciso recomendá-la a não temer...Quisera eu ter sua coragem...Que desgraçado sou...Oh, Deus, eles precisavam cortar seus cabelos também?Oh, céus!Que desgraçado sou...Terei um dia seu perdão?-Havia algo de loucura e desespero em sua voz. E não parava de acariciar-me a cabeça.-Seus cabelos...Oh, meu Deus...Cubra-me com Sua Piedade...Perdoe-me, Desdêmona, perdoe-me...

Seus pedidos de perdão não restituiriam a ninguém a vida, não apagariam essas torpes e amargas memórias.Ele colocou em meus lábios algo tão doce quanto as danças realizadas nos prados, suave e frio como o toque da urze orvalhada em pés descalços.Se em mim restassem forças, haveria cuspido-lhe a face.

Tentei repetir mentalmente tudo o que ele dissera.Presenciei muito para saber que não me esborracharia na parede se essa fosse a vontade dos deuses.Ou cairia naquele profundo abismo que muitos diziam não ter fim, mas eu sabia que apesar da longa queda, havia um fim entre as rochas e o mar, razão de sua terrível fama.

Por que Hans se arriscara tanto?Meu corpo doía e ansiava demais pelo ar puro e o vento batendo em meu rosto para questioná-lo seriamente.Olhei através das grades.A Lua não demoraria a nascer...

Ele deixou-me estendida no catre.Temia que eu morresse antes da fuga.

-Boa Sorte...Que seus deuses a protejam...

Hans se foi.Eu me perguntava se acharia forças para chegar até a parede...Oito pés a separavam se mim e era algo instransponível.A Lua adentrou o cárcere, enfim inundando tudo.

-Coragem, filha!Ainda não é sua hora!Levanta!

A voz era o doce murmúrio do mar, o assobio do vento nas palhas do telhado ou seu doce sussurro enquanto fazia amor com as árvores.Era a chuva da primavera, os sons esquecidos das vozes dos carvalhos nos bosques, o uivo do lobo nas noites de caça...De repente, eu pulsava. Como a terra das colinas onde correm os cervos a celebrar antigos ritos... Como o pulsar de quando homem e mulher se tornam um...

-Mãe!

Eu me ouvi gritar.Abri os olhos.Meu corpo se lançava ferozmente à parede, atravessando-a...E eu caia...Meus ossos doíam ao sabor gélido do vento.A iluminada torre dos meus algozes ficava para trás.Alegrava-me as rochas à uma morte desonrosa e eu estava aproximando-me delas.Disse adeus ao céu, aos elementos, às estrelas -minhas irmãs...Estava pronta...

Percebi algo voando em minha direção, como uma grande águia, mas não o era.Um grifo!Eu estava sonhando!Ou então morrera e esse era o ser que atravessa as almas rumo ao outro mundo...

Seu bico rasgou-me a pele, jogando-me para o alto.Fui aparada em suas plumas macias.

-Segure-se, menina - sua voz era um estridente e suave, com o tom se quem viveu muitas luas.Garanto-lhe uma bela fogueira e irmãos ansiosos para dispensar-lhe seus cuidados.

Uma prece surgiu em meus lábios.Esse não era meu fim.Eu estava apenas começando...

Tristeza

"Se eu pudesse transformar em qualquer coisa minha tristeza... E essa adoração que teima e perdurar, quando me terá fim?Eu a nego. E me nego.Mas nada muda. Eu me prendi nessa teia e agora é tão difícil soltar-me... Eu já sei toda a razão para esse nunca. E nem espero nada. Compreendo-te. Congratulo-te....Mas não posso beijar outra boca pensando no breve contato dos teus lábios com os meus. Não consigo estar bem em outros braços quando só desejo teus abraços, teu hálito quente a paralisar-me os sentidos e hibernar minhas ressalvas a qualquer coisa..."


para Suhelen, que creio passar por algo bem parecido....

terça-feira, março 28, 2006

Eu



Lua Negra

Calendário Lunar 2006

( d=dia;h=hora;m=minuto....horário de Brasília)

      Nova           Crescente         Cheia         Minguante    
     d  h  m          d  h  m        d  h  m         d  h  m
                 Jan  6 15 56    Jan 14  6 48    Jan 22 12 14
 Jan 29 11 15    Fev  5  3 29    Fev 13  1 44    Fev 21  4 17
 Fev 27 21 31    Mar  6 17 16    Mar 14 20 35    Mar 22 16 10
 Mar 29  7 15    Abr  5  9 01    Abr 13 13 40    Abr 21  0 28
 Abr 27 16 44    Mai  5  2 13    Mai 13  3 51    Mai 20  6 21
 May 27  2 26    Jun  3 20 06    Jun 11 15 03    Jun 18 11 08
 Jun 25 13 05    Jul  3 13 37    Jul 11  0 02    Jul 17 16 13
 Jul 25  1 31    Ago  2  5 46    Ago  9  7 54    Ago 15 22 51
 Ago 23 16 10    Ago 31 19 56    Set  7 15 42    Set 14  8 15
 Set 22  8 45    Set 30  8 04    Out  7  0 13    Out 13 21 26
 Out 22  2 14    Out 29 18 25    Nov  5  9 58    Nov 12 14 45
 Nov 20 19 18    Nov 28  3 29    Dez  4 21 25    Dez 12 11 32
 Dez 20 11 01    Dez 27 11 48                             

Eu amo essas coisas, fases da Lua (esse calendário já devia estar por aqui faz tempo...), marés, solstícios, equinócios, épocas de colher e plantar, posições dos astros no céu...enfim , os ciclos da Terra, a ordem que nos rege mesmo sem nos darmos conta dela.
Alguém que não conheço mandou esse texto pro meu e-mail.Fiquei encantada.

"Amanhã teremos mais uma noite de Lua Negra... noite da Lua que está e não está.
Um momento importante na Roda do Ano, isto porque as noites de Lua Negra servem para um contato mais íntimo com nos mesmos, num processo mensal, assim como os Esbás. A diferença, é que no Esbá, solicitamos a presença das forças Divinas, nos postamos sob a luz da lua e dela extraímos novas energias para um novo período e no rito de Lua Negra, nos vemos solitários, sob uma lua sombria e buscamos mergulhar em nós para iluminar a partir de nosso próprio poder, nossa alma, para mais um período.
É um momento em que mergulhamos fundo em nós mesmos e vamos rumo ao encontro de nossa Sombra. Somos nós e nossos conteúdos interiores a quem nós represamos,censuramos, repreendemos. Gestos, pensamentos,sentimentos, que nos causam incômodo, e que nesta noite, devemos exteriorizar, observar, compreender,aceitar e transformar esta energia que nos incomoda mas que faz parte de nós, em energia produtiva,criativa,construtora.amanhã é noite sem Lua, noite de desnudarmo-nos e depararmos com nossas forças instintivas."

É uma época de autoconhecimento,pois saber até onde somos capazes de ir é importante para que nunca ousemos a tanto... É pena eu saber meus desejos para essa noite de Lua Negra e ter a certeza que não vou realizá-los nessa noite ou em outra qualquer, mas "cuidado com o desejas..."

Em tempo: A Lua Nova nos proporciona uma ocasião perfeita para observar o céu(lindo, majestoso, coalhado de estrelas...Experimente ir aonde as luzes da cidade não lhe alcançam...)Daí, não tenho dúvidas do sucesso da escolha que alguém fez, há muito tempo, em chamar de Via Láctea nossa modesta casa.Que inspiração!

domingo, março 26, 2006

Dollars and cents



Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Por que sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles.


Pois é, achei essa dupla na net, num fórum qualquer da vida...Lindos,cada um à sua maneira...
E por falar em reputação, eu devo estar com uma péssima...Na sexta havia um jantar para ir (superimportante, pela formatura de alguém que mora no meu coração...).Depois do jantar, show com outra amiga.As duas disseram: olha lá, não fura! No que na hora de ir, aparece uma terceira pessoa.Alguém que já foi, mas hoje nem é tão meu amigo assim.Alguém que deu provas de que...ah,nem adianta (e nem cabe aqui) explicar o que houve com esse "amigo".O certo é que fui ajudá-lo.Em algo que nem era só para ele.Talvez se ele só estivesse envolvido não teria minha ajuda.Talvez até tivesse sim, por que sou muito boba quando precisam de ajuda.E assim perdi o jantar, o show,a noite de sono na sextas, a manhã de sábado (e inclusive eu tinha compromisso para ela...) e fiz algo que imaginava fazer, mas não me animava para tanto (é um crime praticamente...é previsto em lei punição pra isso...Calma gente! Código de Trânsito...).
Então,quando finalmente cheguei em casa,por volta do meio dia, eu só queria tomar banho e comer...Depois, meus olhos foram ficando pesados, meu corpo rendeu-se ao cansaço e apaguei - tive uma semana de, em média, 3 horas de sono por noite e duas noites em claro....E dormi ouvindo Radiohead...(
There are better things to talk about/Be constructive/Bear witness /We can use /Be constructive/With yer blues/Even he turn the water blues/Even you turn the water green) Dormi, dormi....dormi...dormi....Duas amigas, que estavam aqui em casa durante todo o fim de semana, me acordaram perto das 21 horas e pediram que eu comesse algo.Fiquei acordada por quase uma hora e dormi de novo, só saindo desse"torpor" às 8 horas da manhã de domingo.
Odeio quando durmo demais, fico naquela que perdi tempo, mas não dessa vez ....(apesar de ter marcado cinema no fim da tarde e furado de novo....) Tinha algo a mais nesse sono, foi mais que repador do corpo....E não foi pelos sonhos com o velho jipe do meu pai, sendo dirigido por mim na chapada ou pela guerra medieval, a qual tomei parte no meu segundo período de sono.É que eu estava há dias sem parar.Caindo de um monte de coisas para fazer em outro monte delas...Acordei ainda tendo muito a resolver,mas sumiu aquilo de correria e afobação que estava me consumindo.
Quanto à minha má reputação agora, quem vai enteder?Mas meus neurônios agradecem pelas dezoito horas de sono...

sexta-feira, março 24, 2006

O cavaleiro jura bravura.....


"Prometo que no exercício da profissão de Farmacêutico mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que forem revelados, os quais terei como preceito de honra.Juro que no exercício da profissão a que hoje me habilito, acima de tudo me norteará o princípio de ser útil à sociedade a que pertenço, preocupado em melhorar as condições de pleno desempenho das funções vitais dos seres humanos que somos, acima de quaisquer ambições, interesses ou ideologias. Nunca me servirei de minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens: se o infringir ou dele me afastar, suceda-me o contrário.Assim, Deus me ajude."

Hoje foi a colação de grau em Farmácia da Nataly.O juramento acima não foi exatamente o qual Nataly pronunciou, mas é bem parecido com o eu que fiz alguns meses atrás -é que o Conselho de Farmácia permite algumas variações- mas o espírito é o mesmo.E sempre me emociona,marca a alma com a pura vontade de nunca me afastar dele, seja por que for.E não quero que esse sentimento seja apenas o entusiasmo dos primeiros anos, mas que me oriente sempre.Pois valores como honra e solidez de caráter nunca deverão passar num mundo que carece tanto e a ética profissional beira a extinção.
Lembranças diversas me vieram à mente.Foram 6 longos anos - um a mais do que deveria-e eu passava mais tempo na faculdade que em casa.O velho Palacete da Lágrimas...Hoje, me senti estranha desde o momento que o vi.Havia saudades na maneira de andar, de olhar, no ato de subir as escadas bicolores, escorregadias em dias de chuva, de me encaminhar para o auditório,até respirar ali.Desde novembro eu não até lá.Parecia não haver passado muito tempo da primeira vez que entrei na Faculdade de Farmácia.Meu Deus! E quanta coisa aconteceu...Eu não sou a mesma pessoa, meu mundo definitivamente não é o mesmo e nem a maneira que o encaro.Fico pensando no que mudaria se começasse tudo outra vez....

quinta-feira, março 16, 2006

Eu - Álvaro de Campos

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

segunda-feira, março 13, 2006

Beijos e Absinto

Sinto a verde seiva inundar-me as entranhas.Uma, duas, três,quatro vezes.Minha alma também está amarga, sinto o gosto da losna e os males da minha falta de costume.Meu corpo inteiro é calor e torpor.Estou pronta para o sonho feérico.Pulsante, esplendoroso, febril...A Terra pára.Por alguns instantes sou eu quem gira. Aos poucos os vapores tornam-se menos densos.Meus sentidos acordam, mas o som do blues parece vir de outra dimensão.Um sussuro em francês me chega ao ouvidos.Não entendo o que diz, mas ele sorri e se aproxima mais...Um Sidhe!Parecia nunca ter saído ao sol e era alto e esguio.Seus olhos negros eram fogo enquanto sorria.E perguntou meu nome...Um papo legal, inteligente do jeito que gosto, sobre coisas que gosto.Não sei se foi a noite inteira ou apenas um segundo.Sei que depois seus lábios eram macios, a língua quente, ávida, doce...Seus carinhos ternos mas com o sabor de seus olhos...Oh, céus! Estávamos descendo as escadas para "tomar ar" na rua estreladaa e eu nem sabia seu nome!E me arrependi por perguntar.Meu Sidhe tinha um nome adorado, desejado mesmo enquanto durmo.Por que esse nome?justo esse nome?!Quis imaginar como seria,mesmo sabendo que meu adorado ser onírico nunca estaria ali, todo de preto numa rua do Reviver, com um desejável sorriso de demônio nos lábios...Eu tinha que esquecer!Então, embriaguei-me mais uma vez em seus beijos de Sidhe e esperei minha consciência dizer que horas eu deveria ir embora...



Desdemona Shade

sexta-feira, março 10, 2006

Introverted iNtuitive Thinking Judging (eu, segundo Jung)

Seu modo principal de viver é focado internamente, absorvendo fatos primariamente através da sua intuição. Seu modo secundário é externo, através do qual você lida com as coisas de acordo com a maneira com que você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema pessoal de valores.

Você é uma pessoa gentil, carinhosa, complexa e altamente intuitiva. Artístico e criativo, você vive num mundo de significados e de possibilidades ocultas. Apenas 1% da população mundial tem características de personalidade como a sua, fazendo desse o tipo mais raro de todos.

Você dá grande importância a ter as coisas organizadas e sistematizadas no seu mundo exterior. Você emprega um grande bocado de sua energia identificando o melhor sistema possível para fazer as coisas acontecerem e constantemente define e redefine as prioridades na sua vida. Por outro lado, você funciona intuitivamente e de maneira totalmente espontânea dentro do seu mundo interior. Você conhece as coisas através da intuição, sem ser capaz de explicar exatamente por que, e sem ter um conhecimento detalhado do assunto. E você está freqüentemente certo, e sabe quando esse é o caso. Conseqüentemente, você põe muita fé nos seus instintos e nas suas intuições. Isto é algo como um conflito entre seu mundo interno e externo, e possivelmente resultando em você não ser tão organizado quanto a maioria das pessoas que preferem uma vida estruturada. Isso se demonstraria através de sinais de desordem (quando na verdade você teria uma tendência a ter as coisas organizadas), como por exemplo, no caso de uma mesa de trabalho aparentemente bagunçada.

Você tem uma compreensão intuitiva afiadíssima sobre pessoas e situações. Assim, você tem aquele feeling sobre as pessoas, entendendo-as intuitivamente. Como um exemplo extremo, você pode até relatar eventos de ordem sobrenatural, como por exemplo, sentindo algo forte que te diz que houve algum problema uma pessoa amada, e vir a descobrir depois que ele sofreu um acidente de carro. Esse é o tipo de coisa que as outras pessoas podem vir a tirar sarro, mas nem você realmente compreende sua intuição num nível que possa ser transformado em palavras, para que você possa explicar isso aos outros. Conseqüentemente, você acaba escondendo seu “eu interior”, dividindo seus sentimentos apenas com aqueles que você escolher dividir. Você é um indivíduo complexo e profundo, é bastante reservado, e tipicamente difícil de compreender. Você esconde boa parte de suas intenções, e pode ficar guardando dentro de si diversos segredos que você poderá não compartilhar com ninguém.

Mas você é uma pessoa tão genuinamente calorosa quanto é complexa. As pessoas mais próximas a você te querem muito bem e podem enxergar suas qualidades especiais e a profundidade com que você se importa com elas. Assim, você se importa com os sentimentos das outras pessoas e tenta ser gentil, evitando magoá-los. Você é muito sensível a conflitos, e não os tolera com facilidade. Situações que são carregadas de conflito podem te levar do seu estado normal e pacífico para um estado de agitação e raiva elevada. Sob estresse você tende a internalizar os conflitos no seu corpo, podendo desenvolver problemas de saúde.

Por você ter capacidades intuitivas tão fortes, você crê acima de tudo em seus próprios instintos. Isso pode resultar em você se tornar um cabeça-dura e a ignorar as opiniões das outras pessoas, pois você acredita que você está sempre certo. Por outro lado, você é um perfeccionista que sempre se pergunta se está utilizando todo seu potencial. Você raramente está em paz completa consigo mesmo, pois sempre há algo que você pode fazer para evoluir ou para melhorar o mundo à sua volta. Você acredita em crescimento constante, e geralmente não passa tempo se lembrando das suas conquistas. Você tem um forte sistema de valores, e precisa viver sua vida de acordo com o que sente ser o correto. Com relação ao seu lado emocional, você é de certa maneira gentil e tranqüilo. Por outro lado, você tem altas expectativas de si mesmo, e freqüentemente da sua família, e você não acredita em entrar num acordo quanto aos seus ideais.

Você naturalmente cuida das pessoas, é paciente, zeloso e super-protetor. Você pode ser um ótimo pai/mãe e gostará de criar laços fortes com seus filhos. Você tem altas expectativas deles, e os pressionam para ser o melhor que puderem, e isso pode se manifestar através de atitudes duras e inflexíveis para com eles. Mas, de um modo geral, seus filhos receberão uma educação forte e sincera de você, juntamente de muito carinho.

No ambiente de trabalho, você é atraído por áreas onde você possa ser criativo e trabalhar de uma maneira independente. Você tem uma afinidade natural para a arte, e pode também obter sucesso trabalhando com as ciências, onde você poderá utilizar sua intuição. Você também se dará bem em profissões orientadas à prestação de serviços. Você não é bom em lidar com coisas muito detalhadas ou com tarefas muito delicadas. Assim, você provavelmente tentará evitar esses tipos de situação, ou acabar indo para o lado oposto e se envolver tanto com os detalhes até o ponto de você perder a grande visão do seu propósito com aquilo. Se você tomar o rumo de ser meticuloso com os detalhes, você pode se tornar altamente crítico com as outras pessoas que não são assim tão meticulosas quanto você.

Mas lembre-se: você tem qualidades que pouquíssimos têm. A vida, porém, não será necessariamente mais fácil para você, mas saiba que você é capaz de obter incríveis conquistas pessoais, guiado pelos seus sentimentos profundos.

Muito bom o teste! vale a pena se assustar com os resultados...Pareceu comigo?Achei q sim e demais até!

quarta-feira, março 08, 2006

Dedinhos de Iaiá

Resolvi em cima da hora ( pra ser mais exata,1 dia antes) ir ao congresso de Medicina Tropical, em Teresina, bem aqui ao lado.E eram só 5 dias.O problema é que eu estava 12 dias ausente (bem mais distante e eu estava em casa há apenas 9 dias), por isso meu pai não estava tão disposto a aceitar essas minhas decisões de "viver no mundo", como ele costuma dizer. Nós passamos pouco tempo juntos esse mês:quando eu ficava em casa era ele a não estar.
Havia marcado para sair de São Luis às 9 hs de sábado. Cheguei em casa 23 hs e um pouquinho na sexta e ele estava( depois de uma semana fora).Não reclamou, apenas me deu um beijinho e conversamos sobre o que ele fez quando estava fora .
Acordei muito cedo, ainda haviam as malas pra arrumar.Meu pai foi comprar pão e preparar nosso café da manhã(eu nunca compro pão, não gosto muito.E o pão que faço sai uma pedra,nas festas de fim de ano pude ver que não há jeito). Quando consegui terminar, papai tinha a mesa posta com coisas típicas daqui do Nordeste que ele gosta muito:canjica e bolo de macaxeira, além de um pão quentinho, derretendo a manteiga.E havia prepado chocolate quente para nós.Eu amo bolo de macaxeira e comentei que aquele estava muito bom.Meu pai provou e comentou:
_Ah, é porque você não lembra dos que eu fazia quando você era criança, Dedinhos de Iaiá...
Lembro de minha mãe falando que ele a havia ensinado a fazer bolo, já comi caruru e camarão que ele fez, mas bolo, eu não lembro ...Ainda mais desses "dedinhos"...
_Por que Dedinhos de Iaiá?É o nome do bolo?
Meu pai não costuma falar muito sobre sua infância ou adolescência.Minha avó era nossa única "fonte de informação".Mas nessa manhã ele falou. Iaiá era uma mulher que fazia bolinhos de macaxeira para meu pai quando ele era bem criança.Por isso ele chamava bolo de macaxeira assim, mas não havia nenhum tão bom quanto o dela.E era essa a receita que ele aprendeu, de tanto vê-la fazer e os fazia quando eu era criança e que hoje não lembrava mais da receita.E principiou a descrever
como a dona da receita o fazia, a textura e sabor do bolo, e achei ter gosto de infância(Havia um tom tão saudoso e apaixonado em sua voz que meus olhos marejaram).
Há dias em que tenho a certeza de que vivi muito, 24 anos é muito tempo e estou quase fazendo 25, o que, pelas estatísticas, pode ser a metade dos meus dias.Por vezes invejo a serenidade do meu pai com relação a isso.Ele tem quase 3 vezes minha idade e faz planos como se fosse viver até os 200 anos.Nunca o vi dizer que algo não era para a idade dele ou tratar a vida com menos vigor.O que eu sinto por ele passa perto da adoração(mamãe sempre diz que da parte dele também é algo assim).Mas vivemos divergindo em vários aspectos ,detesto quando ele discorda comigo e sei que é mútuo. Não gosto nem de pensar na vida sem meu pai.
Não dá para encontrar a receita dos tais dedinhos mas tentarei achar algo parecido... ( o que não será fácil pelas minhas aptidões na cozinha...Ainda bem que meu pai gosta de qualquer coisa que faço.. :)