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em inconstante definição.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O bom e velho papel

Um dia, eu fui um monge copista... Meus dias eram a biblioteca escura e fria de um rígido mosteiro beneditino, saindo de minhas tarefas apenas após as completas... Ou fui um escriba. Na verdade, devo ter sido alguém que não sabia ler e escrever e achava isso muito mágico, pois adoro ler, adoro papel... O cheiro - de livro novo ainda é melhor, o prazer é duplicado-, a textura, espessura, tipo de fibra, a porosidade... tudo... E amo escrever, desenhar letras, fazer arabescos nos cantos das anotações, mudar estilos, deliciar-me com a tinta tomando forma, criando vida, onde antes era o nada...
Fazia tempo que eu não sentia esse simples prazer. Minha mãe dizia que até minha lista de compras era feita no computador. Com a necessidade de fazer resumos de capítulos dos meus livros-travesseiros, estou me desfazendo desse mal...E voltando ao papel.Isso não é uma involução...Esse post, inclusive,nasceu numa branca folha de papel A4,com letras inclinadas em tinta preta.Minha letra fica mais bonita de preto.
Mesmo nunca pensando no assunto, nós queremos ser lembrados, (re)conhecidos, ter nossas idéias, deixar uma memória. Como dizem: “Ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro”. Não bastava apenas crescer e se multiplicar. Deveria haver uma forma de continuar, de perpetuar-se, alcançar a imortalidade, não ser esquecido.
Assim, o homem construiu (ou melhor, mandou construir) monumentos, cidades, muralhas ou simplesmente seus túmulos, conquistou reinos, dedicou-se à pintura,escultura, inventou, ousou, descobriu e escreveu. Para que a morte não apagasse a lembrança de seus dias.E continuamos assim, deixando um pouco de nós para quem está ao nosso lado ou quem vem depois.
E os primeiros recados nas paredes das cavernas? “Fui ali caçar um mamute, volto na próxima lua.” Ou deixavam pintado o que queriam que acontecesse ou aquela caçada memorável, que todos da tribo deveriam saber que você estava lá, de com você foi corajoso...rs.Das cavernas pra cá, contamos nossas histórias em paredes de templos, bloquinhos de argila, jarros, madeira, papiro, velino,livros escritos de tantas formas, tantos tipos de papéis... isso sem falar em computadores, internet, sites, blogs, flogs...aff ...Precisamos dizer a que viemos, sermos vistos e comentados.Não acredito que alguém exteriorize o que pensa, num conto, poema ou idéia, e realmente não queira ser lido e saber o que todo mundo achou. É do homem não se conformar com sua condição mortal. Sempre queremos viver um pouco mais, mesmo que só a memória, nossas idéias continuando de onde ficamos.

3 comentários:

Marcelo Moro disse...

olá,
vc gentilmente deixou um coments no meu blog e participou da semana Amadeus.
então vim visita-la e adorei seu blog .
sobre PAGANINNI se quiser me ajudar poderemos criar uma semana tb , é muito interessante
beijos

Leonardo Nakahara disse...

Perfeito! Esse foi o seu melhor post até então. :)

Suhelen disse...

ai, andressa.... ser reconhecida atraves dos escritos.... ainda tenho medo.... mas logo pelo menos tu lerás.... os meus escritos....hauahiahiauhua.... quanto aos mamutes, como foi a caça??? rs... bjok