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em inconstante definição.

segunda-feira, agosto 14, 2006



Os “Campos Elíseos” eram parte do Hades onde heróis e pessoas boas continuavam suas vidas, enquanto fossem lembrados aqui nesse nosso plano. Daí vem parte do costume da adoração aos ancestrais dos antigos gregos e romanos. (Bem, isso foi o que aprendi nas aulas de história, ainda no Ensino Fundamental. Se bem que, depois dessa tarde, vou pensar bem antes de abrir a boca – ou escrever sobre algo...indiretamente me chamaram de burra, mas isso é assunto pra outro post menos sério.) Eu estava assistindo The Gladiator. Eu adoro esse filme. Eu choro todas as vezes. Eu chorei dessa também. E me senti bem depois. Muitíssimo bem. E por que esse post é sério? Ele fala de honra. É isso. Mesmo que a inspiração tenha sido a honra de uma personagem hollywoodiana.

Penso que não disse isso somente a uma pessoa, mas lembro bem da quase revolta da última. Eu queria ter nascido homem, e em outra época. Ideais de bravura, lealdade, luta, sangue e glória me seduzem - e é assim desde que me lembro.Tá, pode ser que tenha sido um excesso de novelas de cavalaria, admito. Acho que queria algo meio "Coração de Dragão"
"Um cavaleiro jura bravura,
Seu coração só tem virtudes,
Sua espada defende o oprimido,
Seu poder apóia os fracos,
Sua plavra fala só a verdade,
Sua fúria destrói a maldade..."

Não sei ao certo o que é, mas invejo a fé pela qual se dá a vida (pode ser até uma heresia nesses tempos de Jihad...). Seja na justiça, no futuro de um país, naquilo que se aprendeu a amar ou na esperança de voltar para casa e abraçar alguém de quem se sente muita falta. Eu queria ter sido um guerreiro, nem que minha crença fosse somente punho e espada, um paladino das batalhas, devoto à honra de guerreiro. Mesmo me achando longe da pessoa que gostaria de ser, eu gosto de pensar que seria um guerreiro honrado. Digno, reto, justo, nobre. Eu procuro seguir meu código de cavaleiro que é a ética na ciência, mas há o que melhorar em outros aspectos da vida, eu sei. São tempos difíceis...

Amar algo a ponto de dar sua vida... Acho que é isso que me falta. Admiro a maneira com que o Maximus fala de sua casa, da mulher e filho lhe esperando, da colheita do trigo, na forma com que ele pensa e lembra disso (coisas tão simples e eu com tanto porém a respeito de tudo, sempre lutando para não me apegar a lugar algum ou ninguém por não saber aceitar que nunca se tem o controle das coisas e nada sai exatamente como o planejado).... Parece que me falta algo realmente para dar sentido a tudo. Algo em si sentir pequena, frágil e... Ah, e tanta coisa que nem cabe aqui dizer.

Aquelas cenas em que Maximus anda pelos campos sempre me deixam com aperto no coração. Lembra um lugar que adoro, no sítio da minha mãe. É um pequeno descampado (nem nada perto dos campos do filme), pouquíssima coisa mais alto que a região, com algumas árvores nas proximidades, isso em meio a uma vegetação arbustiva. O capim cresce muito e na época seca (como agora) ele chega até metade da minha coxa e está dourado. Eu gosto de deitar em meio ao capim, ficar olhando o céu, tendo aos ouvidos aquele som gostoso que as hastes do capim murmuram ao serem balançadas pelo vento. Sinto-me muito à vontade lá. Se ainda fosse praxe escolher o lugar dos túmulos, como bem antigamente, o meu seria nesse lugar. Quando eu era pequena, achava tão longe da casa, passávamos por lá sempre de carro e haviam cabras pastando. Quando há chuva, o capim fica curtinho e há manchas mais escuras aqui e ali. E nunca estive lá durante a noite e acho que ainda esse mês farei isso. Quero olhar estrelas e secretamente pedir a elas que alguém esteja pensando em mim quando eu for, para que parte minha ainda exista em algum plano...




Um comentário:

Awmergin, o Bardo disse...

Os Cavaleiros não morreram, apenas não usam mais espadas na bainha e não andam por aí a cavalo. Suas armas estão dentro de si mesmoas agora. As Damas existem e os Bardos ainda cantam, querida.
A Idade Média ainda continua, mas mudou de roupa.
Creia no que lhe digo.
E certamente os Elíseos existem, mas para lá adentrares, haverás de merecê-lo.
Evohé!
Awmergin, o Bardo e Paldino